Os segredos dos capacetes dos pilotos de F1

Tal como chapéus, capacetes também há muitos! Mas os dos pilotos da F1 são especiais. Afinal, podem custar 15.000 euros

Miguel Costa 07/12/2017 Curiosidades

Tal como chapéus, capacetes também há muitos! Mas os dos pilotos da F1 são especiais. Afinal, podem custar 15.000 euros, pesam pouco mais de 1 quilo, protegem as cabeças dos pilotos a temperaturas até 800º, enquanto as viseiras resistem ao contacto de um projétil a cerca de 500 km/h. Carlos Sainz Jr., piloto da equipa Renault Sport Formula One Team, ajuda a desvendar este “mundo secreto”, agora que a época de 2017 de F1 terminou…

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Já lá vão 64 anos desde que os capacetes passaram a ser obrigatórios na disciplina da Fórmula 1 e, como seria de esperar, a sua evolução revelou-se fantástica. Hoje, ele é considerado o principal meio de segurança dos pilotos, a par dos fatos de competição e roupa interior ignífugos, que fazem igualmente parte do kit de segurança que nenhum piloto pode dispensar no desporto automóvel e, muito menos, na sua disciplina máxima, a F1. 

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Por exemplo, o de Carlos Sainz Jr. é fabricado pela marca japonesa Arai e é composto por 19 ultrafinas camadas de fibra de carbono e Kevlar, estando preparado para lidar com impactos violentos por forma a dissipar o máximo de energia possível, sem que a cabeça do piloto sofra danos, em caso de acidente. Por outro lado, o capacete de Sainz Jr., como o de Hülkenberg, também deverá proteger a sua cabeça até temperaturas de 800⁰C por um período não inferior a 45 segundos.

Não é, portanto, de estranhar que os capacetes de F1 sejam sujeitos a testes de formação e fragmentação com elevadíssimas exigências por parte da FIA (Federação Internacional do Automóvel).

Seguro e leve

Mas se a um capacete de um piloto de F1 é exigido tamanha resistência, seria talvez expectável que o seu peso fosse elevado. Nada mais errado! Para atingir um equilíbrio perfeito entre a máxima segurança e a máxima mobilidade, o capacete deverá ser ultraleve, pesando menos de 1,5 kg (por norma, 1,250 kg), para não se transforme numa dificuldade extra já que, por si só e em pista, os pilotos já têm que suportar forças gravitacionais muito elevadas (por vezes, na ordem dos 5G). 

Na prática, isto significa que, no decorrer de uma curva pronunciada e a alta velocidade, o peso do capacete aumenta até cinco vezes, o que faz com que, caso dos capacetes não tenham, efetivamente, um peso-pluma, os músculos do pescoço dos pilotos tenham dificuldade suportar o esforço. E isso não é apenas válido para as curvas, é-o também nas fortes acelerações e travagens, onde é fundamental que Hülkenberg e Sainz Jr. mantenham a cabeça em ângulos que lhes permita preservar a máxima visibilidade.

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E por falar em visibilidade, a viseira é também uma parte importante do capacete. A grande maioria é feita em policarbonato transparente especial, combinando elevada resistência a impactos e à chama, estando preparadas para resistir ao contacto de um projétil a cerca de 500 km/h, tendo por isso 3 mm de espessura.

As viseiras também contêm no seu interior alguns produtos químicos, que permitem que não embaciem em condições de chuva ou humidade elevada. Na verdade, estas viseiras podem até ser diferentes de Grande Prémio para Grande Prémio, de acordo com as condições meteorológicas em pista. 

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À superfície da viseira, estão ainda algumas tiras de plástico de 50mm de altura “semi-rasgadas” (que adicionam 70 g ao peso do capacete), que os pilotos vão removendo ao longo da corrida para garantir sempre a melhor visibilidade possível. Conforme explica Carlos Sainz Jr., “geralmente e no meu caso, removo quatro a cinco tiras por Grande Prémio. Normalmente, pouco depois da partida porque é quando há mais resíduos de borracha a saltarem da pista e alojarem-se na viseira”.

Já relativamente ao número de capacetes que usa durante uma época, o piloto espanhol confirma que “costumo usar cerca de 10 porque eles se vão danificando com o seu uso, sobretudo quando rodamos muito perto do carro da frente durante 60 voltas!”.

Pormenor curioso é também a ventilação dos capacetes que têm pequenas entradas ar, que incluem filtros para evitar que pequenas partículas de resíduos entrem no seu interior, tal como o facto de serem ainda pintados à mão durante dezenas de horas (com decorações escolhidas pelos pilotos) e com materiais, obviamente, também ignífugos.

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Dada a sua complexidade (são desenvolvidos, inclusive, em túnel de vento para aprimorar a sua aerodinâmica) e resistência, os capacetes dos pilotos de F1 podem atingir valores bastante consideráveis e apesar de esse valor ser um segredo bem guardado pelas marcas, números como 15.000 euros por unidade, não deverão estar muito longe dos corretos.

Sistema “HANS” para proteger contra o efeito de chicote

Aliado ao capacete está o dispositivo de segurança “HANS”, hoje, também ele obrigatório na F1. Esta peça faz parte integrante do equipamento de segurança do piloto e tem como principal função manter a cabeça ao nível dos ombros (restringindo os movimentos que ultrapassem essa amplitude) durante impactos ou desacelerações violentas, salvaguardando lesões graves da coluna vertebral: “este dispositivo é capaz de salvar a vida. Hoje, já não consideramos sequer a hipótese de entrarmos num carro de Fórmula 1 sem o termos colocado. Já nem se quer é desconfortável pois quase que nem damos por ele, sendo quase natural”, defende Carlos Sainz Jr., o último piloto a entrar na equipa Renault Sport Formula One Team”.

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Capacete e sistema “Hans” são, portanto, dois equipamentos de segurança indispensáveis para os pilotos da equipa, a que se juntam, naturalmente, as botas, as luvas, a roupa interior ignífuga e o fato de competição. Por curiosidade, refira-se que qualquer destes equipamentos também tem que mostrar a sua resistência às mais diversas situações, com o fogo a ser a principal preocupação. 

Neste caso, por exemplo, os seis fatos usados por ano (três em cada parte da temporada) por Carlos Sainz deverão aguentar temperaturas de até 700⁰ durante um período de 12 segundos, o tempo calculado para que o piloto se consiga libertar de um F1 em chamas, caso seja necessário.

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