O Mercedes-Benz CLE 220d exemplifica a insensatez que assola, em parte, o mundo automóvel. Uma berlina com carroçaria coupé e motor diesel, duas tendências que a procura pela eletrificação e o absurdo monopólio dos SUV estão a relegar para o esquecimento, quando, na realidade, não há melhor combinação para quem procura fazer muitos quilómetros.
Em poucos dias, percorremos cerca de 1.000 quilómetros com o CLE 220d Coupé e usufruímos não só de uma ergonomia, segurança e conforto soberbos que eliminaram por completo o cansaço da viagem, mas também de um consumo médio de combustível de apenas 4,3 l/100 km, o que nos permitiria percorrer mais de 1.000 quilómetros com um único depósito.
Antes de nos aprofundarmos na experiência de condução, vamos dar uma vista de olhos geral ao CLE Coupé, um modelo que substituiu de uma assentada só o Classe C Coupé e o Classe E Coupé. Com uma carroçaria tão atraente quanto aerodinâmica é 16 cm mais comprido que um Classe C e 1,5 cm mais comprido que um E. E, ainda assim, parece-nos mais próximo do primeiro do que do segundo.
Para começar, porque o painel de bordo do CLE é o que se poderia ter num C220d normal, mas também porque a sua habitabilidade é semelhante à de uma berlina média. O que, se me perguntarem, não parece nada mau, porque a base a partir da qual parte é, no mínimo, excelente… pelo menos em termos de qualidade de acabamentos: não encontramos qualquer detalhe que destoe e os acabamentos roçam o perfeito.

Mas em termos de manuseamento podia ser um pouco melhor. Por um lado, o volante, com comandos hápticos que por vezes são difíceis de operar durante a condução. Também não ficamos convencidos com os controlos tácteis dos bancos (embora tenham o mesmo aspeto dos anteriores devido ao seu formato e localização na parte superior da porta), mas que exigem alguma sensibilidade.
Além disso, tem centenas de opções que são controladas a partir do enorme ecrã central. É verdade que, uma vez conhecido, encontrará a lógica motriz, mas ainda assim requer habituação.

De resto, tanto o condutor como o passageiro são brindados com bancos de desenho desportivo e uma grande amplitude de movimentos. Se na dianteira o espaço é abundante, nos bancos de trás não se pode dizer o mesmo. Sendo um coupé, é natural que o espaço em altura na segunda fila de bancos não seja o melhor e, para além disso, o acesso aos mesmos é algo complexo e apertado.
No capítulo da tecnologia, temos sensivelmente os mesmos argumentos do Classe C. Ou seja, está equipado com um painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas e, ao centro do tablier, surge um ecrã central de 11,9 polegadas. Este é um sistema muito completo, de rápida resposta, bastante intuitivo e com uma qualidade de grafismo que merece elogios.

Quanto a condução, o Mercedes CLE 220d anda muito e consome pouco, o que é desde logo uma qualidade: vê-se com um sorriso autonomia de 1.000 quilómetros e consumos na casa dos cinco litros sem qualquer tipo de esforço. Aliás, conseguimos fazer, facilmente, médias de 4,6 litros aos cem, o que revela a eficiência do conjunto mecânico.
Em troca, é preciso abdicar da vertente dinâmica: os 197cv estão dispostos, mas não o vão deixar colado ao banco e só se ativar o modo Sport é que terá algo mais parecido com dinâmica, mas será certamente a opção que menos utilizará, pois o conforto da suspensão e a suavidade (não imprecisão) da direção convidam-no a desfrutar com tranquilidade de um modelo tão confortável que qualquer viagem, por mais longa que seja, se torna fácil, simples e muito agradável.
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O motor é o já conhecido 2 litros de 197cv, que recebe o apoio de um sistema híbrido simples que oferece um extra de 23cv. Assim, permite “puxar” sem problemas os generosos 1870 kg de peso, garantindo ainda uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 7,5 segundos e anunciar uma velocidade máxima de 238 km/h.




Mas independentemente dos consumos conseguidos, há uma coisa que esta motorização da unidade cedida pela Sociedade Comercial C. Santos faz questão de esclarecer: os Diesel modernos são quase irrepreensíveis e continuam a fazer sentido. Tudo depende da utilização de cada um.
Avaliação
Na nossa opinião, é um dos Mercedes mais bonitos e elegantes da atualidade, graças às suas proporções clássicas de coupé, com uma frente comprida e agressiva. E para quem gosta de somar quilómetros, sobretudo em autoestrada, o motor Diesel é sem dúvida a motorização que faz mais sentido.











Em Portugal, o CLE Coupé está disponível desde 64.700 euros para a versão CLE 200, menos 3000 euros que o preço base deste CLE 220d Coupé. O modelo já está bem equipado de série, mas esta unidade contava ainda com a linha exterior AMG e o Pack de equipamento AMG Premium Plus, elementos que fazem elevar o seu preço para lá da barreira dos 80 mil euros.
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Como conclusão, a Mercedes-Benz fez um excelente trabalho com o CLE, um modelo que nasceu da necessidade de substituir dois modelos, mas que provou ter sido capaz disso e ainda ter muitas qualidades. O estilo agradará à maioria, enquanto o interior é familiar para quem está habituado às últimas propostas da marca, unindo bem a qualidade com a tecnologia. A motorização 220d convence pela eficiência. É certo que o som não será o mais cativante, mas para isso a gama conta com mais soluções gasolina… que podem ir até aos 449cv do CLE 53 4Matic+.
MAIS
- Qualidade
- Desenho
- Eficiência
MENOS
- Comandos no volante pouco intuitivos
- Preço dos opcionais
Mercedes CLE 220d
- Motor: 4 cilindros em linha
- Cilindrada: 1993cm3
- Potência: 197 cv (+23cv do sistema mild hybrid) às 6000 rpm
- Binário máximo: 440 Nm
- Tração: Traseira
- Caixa: automática de 9 velocidades
- Aceleração (0-100 km/h): 7,9 segundos
- Velocidade máxima: 233 km/h
- Consumo de combustível (WLTP Combinado): 1,3 l/100 km
- Emissões de CO2: 26 g/km (WLTP)
- Peso: 1706 kg
- Preço da versão base: 67.050 euros
- Preço unidade ensaiada: 76.230 euros



































