O aumento dos custos de utilização está a mudar os hábitos dos condutores portugueses. Segundo o Observador Cetelem Automóvel, mais de um terço reduziu as deslocações não essenciais nos últimos seis meses e 25% mudou de posto de abastecimento para poupar. Na compra de um próximo automóvel, 52% aponta para um híbrido ou elétrico.
O preço dos combustíveis continua a pesar na carteira dos portugueses e começa a ter consequências diretas na forma como utilizam o automóvel. De acordo com o estudo Observador Cetelem Automóvel 2026, intitulado «Origem ou Preço? O que move os condutores», 37% dos condutores nacionais reduziram as deslocações não essenciais nos últimos seis meses para fazer face aos custos dos combustíveis.
A poupança também passa pela escolha do local de abastecimento: 25% dos inquiridos afirmam ter mudado de posto para encontrar preços mais baixos.
Os dados mostram que a pressão sobre os orçamentos familiares está a influenciar não apenas a frequência com que os portugueses conduzem, mas também as decisões de compra e as preferências no mercado automóvel.
Preço continua a ser o principal critério de compra
O custo continua a ter mais peso do que o prestígio ou a origem do fabricante na escolha de um automóvel. Num país sem uma marca automóvel nacional, 60% dos inquiridos admitem já ter excluído uma marca da lista de opções apenas por esse motivo.
A realidade é diferente nos mercados com fabricantes nacionais de referência. No Japão, por exemplo, 83% dos consumidores dizem dar preferência a marcas do próprio país. Na Alemanha, essa percentagem é de 53%, nos Estados Unidos de 51% e em França de 48%.
O estudo revela também que a fidelidade às marcas varia consoante o mercado de veículos. Entre os compradores de automóveis novos, 48% voltam a escolher a mesma marca numa segunda compra. Nos usados, essa percentagem desce para 32%.
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Já a ligação emocional ao automóvel atual parece ser relativamente moderada em Portugal: apenas 47% dos condutores dizem sentir uma forte ligação ao veículo que possuem, abaixo da média europeia, que se situa nos 53%.
Mais de metade considera comprar um híbrido ou elétrico
Apesar da preocupação com os custos, a transição para novas motorizações continua a ganhar terreno nas intenções de compra.
Segundo o Observador Cetelem, 52% dos portugueses que planeiam comprar um automóvel nos próximos 12 meses consideram escolher um modelo híbrido ou 100% elétrico. O valor está em linha com a média dos 13 países analisados e aproxima-se dos 55% registados na Europa.
Ainda assim, Portugal fica atrás de outros mercados do sul da Europa, como Itália, onde 68% dos inquiridos apontam para um híbrido ou elétrico, Espanha (65%) e França (60%).
Os resultados sugerem que a eficiência energética e os custos de utilização estão a ganhar importância nas decisões dos consumidores, embora o preço de aquisição continue a ser determinante.
Mercado português cresce apesar das dificuldades na Europa
O estudo destaca ainda o desempenho do mercado automóvel nacional. Depois de 257 mil automóveis ligeiros de passageiros vendidos em 2025, um crescimento de 6,3% face ao ano anterior, a previsão aponta para cerca de 280 mil unidades em 2026, o que representaria uma subida próxima dos 10%.
Para 2027, a expectativa é de estabilização das vendas em torno desse volume.
Portugal está entre os poucos mercados europeus que conseguiram crescer desde a pandemia, com uma evolução de 1%, segundo os dados apresentados pelo Cetelem. A Polónia destaca-se com um crescimento de 8%, enquanto a média europeia regista uma quebra de 17%. França e Alemanha apresentam recuos de 26% e 21%, respetivamente.
No que diz respeito às marcas mais vendidas em Portugal, a Peugeot lidera a lista apresentada pelo estudo, com 10%, seguida da Renault e da Mercedes-Benz, ambas com 8%. Entre os automóveis elétricos, a liderança é partilhada pela Mercedes-Benz e pela Peugeot, com 11% cada, seguindo-se a BMW, com 9%.
Consumidores procuram automóveis ajustados ao orçamento
Para David Correia, diretor de Mobilidade do Cetelem, os resultados confirmam que o preço continua a ser o fator decisivo para quem procura um automóvel.
O responsável considera que o mercado português tem demonstrado resiliência, mas sublinha que os consumidores procuram cada vez mais soluções que conciliem as necessidades de mobilidade com as possibilidades financeiras das famílias.
O estudo foi realizado pela Harris Interactive, em parceria com a C-Ways, através de inquéritos online conduzidos entre 8 e 19 de junho de 2026. Foram abrangidos 13 países, incluindo Portugal, e recolhidas 15.770 respostas junto de pessoas com 18 ou mais anos.
Os resultados deixam uma mensagem clara para o setor automóvel: os portugueses continuam a precisar do carro, mas estão cada vez mais atentos ao custo de o comprar, abastecer e utilizar.





































