Citroën ë-C5 Aircross: grande, confortável e elétrico. Será a combinação perfeita?

Conforto, espaço e eficiência elétrica definem o Citroën ë-C5 Aircross. Com 210 cv, bateria de 73 kWh e até 520 km de autonomia, é um SUV familiar pensado para viajar com tranquilidade, embora perca alguma da ver

Conforto, espaço e eficiência elétrica definem o Citroën ë-C5 Aircross. Com 210 cv, bateria de 73 kWh e até 520 km de autonomia, é um SUV familiar pensado para viajar com tranquilidade, embora perca alguma da ver

A segunda geração do Citroën C5 Aircross representa uma evolução profunda para o SUV familiar francês. Mais comprido, mais espaçoso e com uma aposta muito mais forte na eletrificação, o novo modelo mantém aquela que sempre foi uma das suas principais características: o conforto. Mas também deixa pelo caminho uma solução de modularidade que fazia do anterior C5 Aircross um modelo particularmente interessante para as famílias.

Entre as várias motorizações disponíveis, o ë-C5 Aircross elétrico de 210 cv assume-se como uma das propostas mais interessantes. Com uma bateria de 73 kWh e uma autonomia homologada de até 520 km, procura combinar as necessidades do dia a dia com a capacidade para enfrentar viagens longas.

Um C5 Aircross mais imponente

Basta olhar para o novo C5 Aircross para perceber que o modelo cresceu em ambição. Com 4,65 metros de comprimento, 1,90 metros de largura e 1,66 metros de altura, apresenta uma presença mais robusta, enquanto a distância entre eixos de 2,78 metros contribui para uma utilização mais generosa do espaço interior.

A nova plataforma STLA Medium, do grupo Stellantis, permite não só acomodar diferentes sistemas de propulsão, como também explorar melhor as possibilidades de eletrificação.

O desenho segue a mais recente linguagem da Citroën, com superfícies mais limpas e uma preocupação evidente com a eficiência aerodinâmica. Na versão elétrica, essa questão assume particular importância, ajudando a maximizar a autonomia.

Os grupos óticos Matrix LED, as características Light Wings traseiras, o novo logótipo de inspiração retro e as jantes de 19 polegadas do nível Max completam uma imagem moderna, mas sem excessos. É um SUV que procura destacar-se mais pela personalidade do que pela extravagância.

Um interior mais tecnológico, mas ainda racional

É no habitáculo que a evolução se torna mais evidente.

O tablier adota uma disposição horizontal, dominada por uma instrumentação digital de 10,25 polegadas e por um generoso ecrã central vertical de 13,6 polegadas.

A Citroën não caiu, contudo, na tentação de transformar tudo em funções digitais. Há comandos físicos para algumas das funções essenciais, uma solução que continua a fazer sentido num automóvel destinado a uma utilização familiar.

A conectividade inclui Apple CarPlay e Android Auto sem fios, enquanto a integração do ChatGPT acrescenta uma dimensão tecnológica ao sistema de infotainment.

Um dos detalhes mais curiosos é o espaço de arrumação colocado atrás do ecrã central. É uma solução engenhosa para aproveitar o espaço disponível, embora seja fácil esquecer algum objeto ali colocado, já que não fica particularmente visível a partir da posição de condução.

A qualidade de construção também dá um passo em frente. Existem materiais mais agradáveis ao toque, combinados com superfícies mais simples, mas tudo parece bem montado. Os tecidos e alguns revestimentos procuram reforçar a sensação de sustentabilidade, enquanto o recurso limitado ao pouco agradável preto piano é uma decisão que merece aplausos.

Conforto continua a ser a palavra-chave

Se há uma característica que define o C5 Aircross, é o conforto.

A nova geração não abdica dessa filosofia. Pelo contrário, leva-a ainda mais longe através dos bancos Advanced Comfort e da suspensão com tecnologia de amortecimento hidráulico progressivo.

Os bancos apresentam um enchimento generoso e uma configuração pensada sobretudo para viagens longas. Não procuram oferecer o maior apoio lateral possível, mas sim reduzir a fadiga e proporcionar uma posição confortável durante muitas horas.

A suspensão segue exatamente a mesma filosofia.

Os Advanced Comfort conseguem filtrar de forma particularmente eficaz buracos, juntas de dilatação e outras irregularidades do piso. O resultado é uma condução suave, mas sem aquela sensação excessivamente flutuante que algumas suspensões demasiado confortáveis podem transmitir.

O ë-C5 Aircross não pretende ser um SUV desportivo. E ainda bem. A sua vocação é outra: viajar com tranquilidade, conforto e silêncio. A direção podia transmitir um pouco mais de informação ao condutor. Mas, tendo em conta a filosofia do modelo, dificilmente será um defeito determinante.

Mais espaço, mas menos versatilidade

O aumento das dimensões exteriores também trouxe benefícios para quem viaja atrás.

Há agora cerca de 5 centímetros adicionais para as pernas e quase 7 centímetros mais de espaço em altura. O resultado é uma segunda fila bastante confortável, sobretudo para dois adultos.

Mas há uma decisão da Citroën que merece alguma crítica.

A geração anterior recorria a três bancos traseiros individuais, que podiam deslizar longitudinalmente e ter os respetivos encostos regulados de forma independente. Era uma solução pouco comum no segmento e, sobretudo, extremamente útil para famílias.

No novo C5 Aircross, essa solução desaparece.

Em seu lugar encontramos um banco traseiro convencional, dividido em 40/20/40, com encostos rebatíveis e reclináveis. Continua a ser uma solução prática, mas perdeu-se uma boa parte da versatilidade que distinguia o C5 Aircross dos seus rivais.

É uma evolução curiosa: ganhou-se espaço, mas perdeu-se alguma inteligência na forma de o utilizar.

565 litros de bagageira

A bagageira oferece 565 litros de capacidade, independentemente da motorização, podendo ultrapassar os 1600 litros com os bancos traseiros rebatidos. É um valor que coloca o C5 Aircross numa posição competitiva entre os SUV familiares.

O espaço apresenta formas regulares e fáceis de aproveitar, enquanto a configuração 40/20/40 permite transportar objetos mais compridos sem abdicar completamente dos lugares traseiros. Para uma família, continua a ser um SUV bastante competente neste capítulo.

210 cv e 520 km de autonomia

A versão elétrica aqui em destaque utiliza um motor montado no eixo dianteiro, com 210 cv e 343 Nm de binário. A energia é armazenada numa bateria de 73 kWh, que permite anunciar uma autonomia máxima de 520 km.

Em utilização real, o consumo poderá variar bastante em função da temperatura, velocidade e topografia. Ainda assim, valores na ordem dos 17 a 19,5 kWh/100 km são perfeitamente plausíveis para um SUV desta dimensão e com mais de duas toneladas de peso. Não estamos, portanto, perante um modelo particularmente orientado para a eficiência extrema, mas o equilíbrio entre dimensão, prestações e autonomia é convincente.

A resposta do motor elétrico é imediata, como seria de esperar, mas a prioridade não está nas acelerações fulminantes. O ë-C5 Aircross prefere entregar a potência de forma progressiva e silenciosa.

É precisamente aqui que o caráter elétrico combina melhor com a filosofia Citroën.

Confortável, silencioso e previsível

Ao volante, o ë-C5 Aircross transmite sobretudo uma sensação de tranquilidade.

A suspensão absorve muito bem as irregularidades e o motor elétrico acrescenta uma camada adicional de silêncio à experiência de condução. Em cidade, essa combinação funciona particularmente bem.

Em estrada aberta, o comportamento mantém-se seguro e previsível, embora não exista grande incentivo para procurar uma condução mais empenhada. Não é um SUV para atacar curvas. É um automóvel para chegar ao destino sem cansaço.

E, nesse contexto, a receita faz todo o sentido.

Equipamento e preços

A gama do C5 Aircross está organizada em quatro níveis de equipamento: You, Plus, Business e Max. A unidade em ensaio é a mais equipada e conta com o avançado sistema VisioPark 360°, para uma visão aérea do veículo durante as manobras e o ambiente Hype Blue, com bancos estofados em Blue Premium TEP e tecido; o banco do condutor é elétrico (com 8 posições, memória e aquecimento) e o banco do passageiro também é aquecido. À frente do condutor, um Head-Up Display estendido projeta todas as informações vitais no campo de visão. 

No caso do ë-C5 Aircross de 210 cv, o preço anunciado em Portugal começa nos 39.690 euros. A versão Max, mais equipada, eleva o valor para cerca de 45.800 euros.

Conclusão

O ë-C5 Aircross de 210cv não tenta ser o SUV elétrico mais rápido, mais tecnológico ou mais emocionante do mercado. E essa é precisamente uma das suas maiores virtudes.

A Citroën encontrou uma identidade clara para este modelo: conforto, espaço, silêncio e facilidade de utilização. A plataforma elétrica acrescenta uma condução suave e silenciosa, enquanto os 210 cv garantem prestações mais do que suficientes para uma utilização familiar.

O interior está mais moderno e tecnológico, a habitabilidade melhorou e a bagageira continua a cumprir. Há, contudo, uma perda importante: os três bancos traseiros individuais da geração anterior. Para uma família, aquela solução oferecia uma versatilidade que dificilmente será compensada apenas pelo aumento do espaço disponível.

Ainda assim, o novo ë-C5 Aircross mantém uma característica que começa a ser rara: sabe exatamente o que quer ser.

Num mercado onde muitos SUV procuram simultaneamente ser desportivos, tecnológicos, luxuosos e aventureiros, o Citroën escolhe um caminho mais simples.

Quer ser confortável. E faz isso muito bem.

MAIS

  • Espaço interior
  • Equipamento
  • Conforto

MENOS

  • Direção muito filtrada
  • Peso
  • Perda dos três bancos traseiros individuais


Citroën e-C5 Aircross Eletrico 210cv

  • Motor: elétrico
  • Potência: 213 cv 
  • Binário máximo: 343 Nm
  • Bateria: 73 kWh
  • Tração: Dianteira
  • Transmissão: automática 
  • Aceleração (0-100 km/h): 8,9 segundos 
  • Velocidade máxima: 170 km/h
  • Consumo de combustível (WLTP Combinado): 17,2/100 km
  • Autonomia anunciada (WLTP): 517 km
  • Peso: 2.184 kg
  • Preços: 45.790 euros (Electric de 210cv a partir de 39.690 euros – híbrido a partir de 38 mil euros)