A Xiaomi continua a registar um forte crescimento nas vendas dos seus automóveis elétricos, mas os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 mostram que a divisão automóvel ainda está longe da rentabilidade. Apesar do sucesso comercial dos modelos SU7 e YU7, a empresa perdeu, em média, cerca de 4.800 euros por cada veículo entregue aos clientes.
Segundo os dados financeiros divulgados pela fabricante chinesa, a unidade Xiaomi Auto — que inclui também atividades ligadas à inteligência artificial e inovação tecnológica — gerou receitas na ordem dos 2,49 mil milhões de euros durante os primeiros três meses do ano. No entanto, o resultado operacional permaneceu negativo, acumulando prejuízos próximos dos 400 milhões de euros.
Vendas continuam a crescer
Entre janeiro e março de 2026, a Xiaomi entregou 80.856 veículos, um aumento de 6,6% face às 75.869 unidades registadas no mesmo período do ano anterior.

O preço médio de venda situou-se nos 29.730 euros por automóvel, beneficiando da presença na gama do desportivo SU7 Ultra, uma versão de elevado desempenho que oferece margens superiores às variantes convencionais.
Leia ainda: Xiaomi SU7 Ultra bate recorde de Nürburgring
Apesar disso, o entusiasmo inicial em torno do SU7 Ultra abrandou nos meses seguintes ao lançamento, com as vendas a estabilizarem após o forte impacto inicial no mercado chinês.
Três fatores explicam os prejuízos
A perda média de aproximadamente 4.811 euros por veículo resulta de uma combinação de fatores que continuam a pressionar a rentabilidade da Xiaomi.
O primeiro está relacionado com a redução dos incentivos e apoios à compra de veículos elétricos na China, que tiveram impacto direto nas margens obtidas por cada venda.

O segundo prende-se com o aumento dos custos das matérias-primas utilizadas na produção automóvel, uma tendência que continua a afetar grande parte da indústria global.
Por fim, a Xiaomi continua a investir fortemente na expansão da sua rede comercial e de assistência. A marca já conta com cerca de 490 centros distribuídos por 143 cidades chinesas, uma estrutura que exige elevados investimentos e aumenta os custos operacionais numa fase em que o volume de vendas ainda não permite diluir totalmente essas despesas.
YU7 assume papel central na estratégia
Atualmente, a Xiaomi concentra grande parte dos seus esforços comerciais no novo SUV YU7 e na futura variante desportiva YU7 GT, que deverá aproximar-se dos 1.000 cv de potência.
A marca chegou a ultrapassar as 50 mil unidades vendidas num único mês no final de 2025, mas registou uma desaceleração temporária após a descontinuação da primeira versão do SU7 e a chegada da atualização do modelo em março deste ano.
Ainda assim, só em abril de 2026 a Xiaomi vendeu mais de 36 mil veículos, alcançando uma quota de mercado de cerca de 2,6% na China, um resultado expressivo num dos mercados automóveis mais competitivos do mundo.
Europa continua nos planos para 2027
Apesar dos prejuízos registados, a Xiaomi mantém os planos de expansão internacional. A entrada oficial no mercado europeu continua prevista para 2027, com o SU7 e o YU7 a liderarem a ofensiva da marca no continente.
A estratégia faz sentido num contexto em que a concorrência no mercado chinês continua extremamente agressiva, com muitos fabricantes a praticarem margens reduzidas para ganhar quota de mercado. Para a Xiaomi, a internacionalização poderá ser um passo fundamental para aumentar volumes, melhorar a rentabilidade e acelerar o caminho para os lucros.




































