Oito mitos sobre os pneus que muitos condutores ainda acreditam: um furo nem sempre obriga a trocar a roda

Oito mitos sobre os pneus que muitos condutores ainda acreditam: um furo nem sempre obriga a trocar a roda

Apesar de serem o único ponto de contacto do veículo com a estrada, muitos condutores continuam a desconhecer aspetos essenciais sobre os pneus

Apesar de serem o único ponto de contacto do veículo com a estrada, muitos condutores continuam a desconhecer aspetos essenciais sobre os pneus

A pressão dos pneus, o desgaste da borracha e até a possibilidade de reparar um furo continuam a gerar dúvidas entre os condutores. A Bridgestone esclarece oito ideias erradas sobre os pneus que podem comprometer a segurança na estrada e levar a despesas desnecessárias.

Os pneus são o único ponto de contacto entre o automóvel e o asfalto, pelo que o seu estado influencia diretamente a travagem, a aderência e a estabilidade. Mesmo assim, há hábitos de manutenção e crenças populares que podem prejudicar o comportamento do veículo.

Entre os mitos mais comuns estão a ideia de que circular com menos pressão melhora a aderência, de que os pneus não envelhecem quando o carro está parado ou de que qualquer furo obriga à substituição imediata.

1. Ter piso suficiente significa que o pneu está em bom estado

Não necessariamente. Um pneu pode apresentar uma profundidade de piso aparentemente adequada e, ainda assim, ter perdido parte das suas características.

Fissuras, cortes, deformações e o envelhecimento da borracha podem comprometer a segurança. Um exemplo são os pneus chamados «cristalizados», cuja borracha perde elasticidade e pode oferecer menos aderência, sobretudo em piso molhado.

Em Portugal, tal como em Espanha, a profundidade mínima legal do piso é de 1,6 milímetros para os pneus dos automóveis ligeiros abrangidos por este requisito. No entanto, não se deve esperar por esse limite para avaliar a necessidade de substituição.

Vibrações anormais, perda de estabilidade ou danos visíveis são sinais que justificam uma inspeção. A profundidade do piso é apenas um dos fatores a considerar.

2. Circular com menos pressão melhora a aderência

É uma das ideias erradas que pode sair mais cara. Embora alguns condutores pensem que reduzir a pressão aumenta a superfície de contacto com a estrada e melhora a aderência, a pressão insuficiente pode prejudicar a estabilidade e aumentar a distância de travagem.

Além disso, pode provocar desgaste irregular, aumentar a resistência ao rolamento e elevar o consumo de combustível. Em situações mais exigentes, o excesso de aquecimento pode mesmo contribuir para danos graves no pneu.

O contrário também não é aconselhável. Uma pressão demasiado elevada pode reduzir a área de contacto em determinadas condições e tornar o pneu mais vulnerável a danos provocados por impactos.

A solução passa por verificar regularmente a pressão recomendada pelo fabricante, tendo em conta a carga e o número de ocupantes. Os valores encontram-se habitualmente numa etiqueta no interior da porta, na tampa do depósito de combustível ou no manual do automóvel.

3. Os pneus dianteiros e traseiros desgastam-se da mesma forma

O desgaste depende de vários fatores, incluindo o tipo de tração, a distribuição do peso, o alinhamento da direção e o estilo de condução.

Nos automóveis de tração dianteira, por exemplo, os pneus da frente tendem a desgastar-se mais rapidamente, uma vez que suportam grande parte das forças de direção, travagem e aceleração.

Para ajudar a uniformizar o desgaste, a Bridgestone recomenda rotações dos pneus aproximadamente a cada 10.000 quilómetros, desde que sejam compatíveis com as características dos pneus e com as indicações do fabricante do veículo.

Esta operação não deve ser feita de forma automática em todos os automóveis. Pneus direcionais, medidas diferentes entre os dois eixos ou configurações específicas podem limitar as possibilidades de troca de posição.

4. Os pneus não envelhecem se o carro estiver parado

Falso. Mesmo sem percorrer quilómetros, os pneus continuam sujeitos ao envelhecimento dos materiais.

A exposição à luz solar, as variações de temperatura e as condições ambientais podem degradar progressivamente a borracha. Por isso, um automóvel que passa longos períodos parado também precisa de uma avaliação regular dos pneus.

A idade pode ser identificada através do código DOT inscrito no flanco. Os últimos quatro algarismos indicam a semana e o ano de fabrico. Por exemplo, o código 3524 corresponde à 35.ª semana de 2024.

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A Bridgestone aconselha inspeções anuais a partir dos cinco anos de utilização e recomenda a substituição dos pneus quando atingem dez anos desde o fabrico, mesmo que aparentemente ainda apresentem piso suficiente. Se existirem danos ou sinais de deterioração, a troca poderá ser necessária mais cedo.

5. Um furo obriga sempre a comprar um pneu novo

Este é um dos mitos mais relevantes para a carteira dos condutores. Nem todos os furos obrigam à substituição do pneu: em determinadas circunstâncias, é possível fazer uma reparação segura.

A decisão depende, sobretudo, da localização e da dimensão do dano, bem como do estado geral do pneu. Uma perfuração na zona central do piso poderá ser reparável, depois de uma avaliação profissional.

Já os danos no flanco, a deterioração da estrutura interna ou a circulação prolongada com pressão insuficiente podem tornar a reparação inviável. Por esse motivo, não basta observar o furo pelo exterior: o pneu deve ser desmontado e inspecionado por um profissional.

Se a substituição for necessária, também importa verificar o estado dos restantes pneus. Nos veículos de tração integral, diferenças significativas de diâmetro causadas pelo desgaste podem afetar o funcionamento de determinados componentes mecânicos. Nestes casos, devem ser respeitadas as tolerâncias definidas pelo fabricante.

6. Dois pneus com as mesmas medidas oferecem o mesmo desempenho

As dimensões não contam toda a história. Dois pneus com a mesma largura, altura do perfil e diâmetro podem apresentar diferenças consideráveis de comportamento.

O desenho do piso, os materiais utilizados e a construção influenciam a aderência, a travagem em piso molhado, a resistência ao rolamento e o ruído produzido durante a circulação.

Oito mitos sobre os pneus que muitos condutores ainda acreditam: um furo nem sempre obriga a trocar a roda
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Antes de comprar pneus novos, vale a pena comparar estes fatores, em vez de escolher exclusivamente pelo preço ou pelas dimensões.

A etiqueta europeia dos pneus ajuda nessa tarefa, apresentando informação sobre a eficiência energética, a aderência em piso molhado e o ruído exterior de rolamento. Dependendo do modelo, podem existir ainda outras características relevantes para a utilização pretendida.

7. Os pneus All Season são adequados apenas para o inverno

Os pneus All Season, ou para todas as estações, foram desenvolvidos para proporcionar um compromisso entre as características dos pneus de verão e as dos pneus de inverno.

Podem ser uma opção interessante para condutores que enfrentam condições meteorológicas variáveis ao longo do ano, incluindo chuva e temperaturas baixas, sem necessitarem necessariamente de trocar de pneus entre estações.

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Contudo, nem todos os modelos oferecem o mesmo desempenho. A capacidade de travagem, a aderência em neve e o comportamento em temperaturas elevadas variam consoante o pneu.

Por isso, a escolha deve ter em conta o clima habitual, o tipo de estradas percorridas e a frequência com que o automóvel circula em condições invernais exigentes.

8. Todos os pneus de inverno podem substituir as correntes na neve

Não. Um dos aspetos a verificar é a presença do símbolo 3PMSF, representado por uma montanha de três picos com um floco de neve.

Esta marcação indica que o pneu passou por ensaios específicos de desempenho em neve. Pode ser encontrada em pneus de inverno e em determinados pneus All Season.

Ainda assim, a possibilidade de dispensar correntes depende das regras aplicáveis no local e das condições de circulação. A marcação não significa que o pneu seja imune à perda de aderência nem que possa substituir as correntes em qualquer situação.

Para quem conduz regularmente em zonas montanhosas ou enfrenta episódios frequentes de neve, a escolha de pneus adequados às condições previstas é especialmente importante.

A manutenção dos pneus continua a ser essencial

Estas oito ideias mostram que a segurança não depende apenas da quantidade de piso disponível. A pressão correta, a idade da borracha, a ausência de danos e a escolha de pneus adequados ao automóvel e à utilização são igualmente importantes.

Uma verificação regular pode ajudar a detetar problemas antes de estes comprometerem a segurança ou obrigarem a despesas maiores. E, perante um furo, a decisão entre reparar e substituir deve ser sempre tomada depois de uma inspeção profissional.

No final, manter os pneus em boas condições é uma das formas mais simples de preservar a aderência, a estabilidade e a capacidade de travagem do automóvel.