A autonomia continua a ser um dos argumentos que mais pesa na escolha de um elétrico. E, embora as baterias tenham evoluído bastante, basta pensar numa viagem mais longa para surgir a inevitável questão: onde e quando vou carregar? O Leapmotor C10 REEV responde a esta dúvida de uma forma diferente, ao juntar uma bateria relativamente compacta a um motor de combustão que funciona exclusivamente como gerador.
É, por isso, uma espécie de dois em um. No dia a dia, podemos utilizá-lo praticamente como um elétrico convencional, com até 145 km de autonomia 100% elétrica. Quando a bateria começa a esgotar-se, entra em funcionamento o motor a gasolina para produzir eletricidade. As rodas continuam a ser movidas exclusivamente pelo motor elétrico.

E é precisamente aqui que o C10 REEV se torna interessante: deixa de ser necessário escolher entre a conveniência de um elétrico e a liberdade de utilização de um automóvel convencional.
Elétrico no dia a dia, sem medo das viagens longas
A receita utilizada pela Leapmotor é relativamente simples. O C10 REEV recorre a uma bateria de 28,4 kWh, enquanto um motor 1.5 a gasolina assume a função de gerador quando é necessário produzir energia adicional.

O resultado são 215 cv, enviados às rodas traseiras através de uma transmissão automática. Não há, portanto, uma ligação mecânica entre o motor de combustão e as rodas: quem move efetivamente o C10 é sempre a eletricidade.
Na utilização diária, os 145 km de autonomia elétrica permitem cobrir uma boa parte das deslocações sem gastar uma gota de gasolina. Para quem tenha possibilidade de carregar em casa, a experiência aproxima-se bastante da de um elétrico puro.
Mas é nas viagens que o conceito começa verdadeiramente a fazer sentido.
Com a bateria carregada e o depósito de combustível de 50 litros abastecido, a autonomia total pode chegar aos 970 km, de acordo com os dados anunciados pela marca. É uma diferença significativa face aos 424 km da versão elétrica do C10.

Na realidade, os consumos em viagens longas serão naturalmente superiores aos 0,4 l/100 km homologados em determinadas condições. Contando com cerca de 7 l/100 km em utilização real de longa distância, ainda assim estamos perante um resultado bastante interessante para um SUV com quase cinco metros de comprimento.
Um C10 que quase não denuncia a diferença
Se estivermos habituados ao C10 elétrico, encontrar as diferenças exteriores não é tarefa fácil. A silhueta mantém-se praticamente intacta e as alterações resumem-se sobretudo aos logótipos específicos e à existência de duas tampas: uma para o carregamento elétrico e outra para o depósito de gasolina.

Há, contudo, uma consequência prática da instalação do sistema REEV. A bagageira passa dos 435 para 400 litros, uma pequena penalização face à versão elétrica. De resto, continuamos perante um SUV de presença forte, linhas modernas e uma abordagem bastante limpa ao design. É uma fórmula que funciona precisamente porque não tenta parecer excessivamente futurista.
Um interior que aposta quase tudo na tecnologia
Por dentro, o C10 mantém uma filosofia minimalista que já começa a ser habitual entre os fabricantes chineses. Há poucos comandos físicos e praticamente tudo passa pelo grande ecrã central de 14,6 polegadas.
Até a regulação dos retrovisores é feita através do ecrã, uma solução que pode exigir alguma habituação. Atrás do volante encontramos ainda um painel digital de 10,25 polegadas.





Mais interessante é a sensação a bordo. O isolamento acústico é um dos pontos fortes do C10 e, quando circulamos em modo elétrico, o silêncio ajuda a criar uma experiência particularmente confortável.
O REEV acrescenta ainda diferentes modos de funcionamento — EV+, EV, Fuel e Power+ — que permitem gerir a forma como a energia é utilizada. Ainda assim, o sistema procura automaticamente utilizar o motor de combustão da forma mais eficiente possível.
215 cv chegam e sobram
Com 215 cv e tração traseira, o C10 REEV não pretende ser um SUV desportivo. E não precisa de o ser.
A prioridade está claramente no conforto, mas existe potência suficiente para responder rapidamente quando é necessário. Em ultrapassagens, por exemplo, o modo Power+ permite explorar toda a capacidade do sistema e o C10 não demonstra dificuldades em ganhar velocidade.

Mais importante do que os números é a forma como entrega a potência: linear, silenciosa e sem as transições típicas de uma caixa de velocidades convencional.
A condução acaba por ser, sobretudo, tranquila. O C10 sente-se mais à vontade a devorar quilómetros do que a atacar curvas, mas isso está perfeitamente alinhado com a sua filosofia.
O melhor dos dois mundos?
É precisamente esta a questão que o C10 REEV coloca.

Por um lado, temos um SUV que pode fazer 145 km em modo exclusivamente elétrico, suficientes para muitas utilizações quotidianas. Por outro, quando chega a altura de viajar, temos um motor a gasolina capaz de gerar eletricidade e permitir uma autonomia total próxima dos 1.000 km.
Durante uma utilização prolongada, esta diferença torna-se evidente. Uma viagem que exigiria planeamento cuidadoso num elétrico convencional pode ser feita com muito maior tranquilidade. Não porque o C10 seja necessariamente mais eficiente, mas porque elimina uma das principais limitações práticas dos elétricos: a necessidade de parar para carregar.
E há outro detalhe importante: a bateria nunca é deixada completamente sem energia. Quando o nível de carga desce para valores muito baixos, o sistema liga automaticamente o motor de combustão para continuar a produzir eletricidade.

A questão do preço
É aqui que o C10 REEV ganha ainda mais força.
Com preços a partir de 38.500 euros, o C10 REEV torna-se particularmente competitivo para um SUV desta dimensão, potência e nível de equipamento. Tem a curiosidade de ter preços alinhados pelas respetivas versões elétricas (a versão Design da opção elétrica custa 37.800 euros).

A Leapmotor beneficia ainda do facto de estar integrada no Grupo Stellantis, algo que pode ajudar a reduzir uma das dúvidas naturais perante uma marca chinesa relativamente recente: a assistência, a manutenção e a disponibilidade de peças.
Uma solução que faz sentido
O Leapmotor C10 REEV não tenta reinventar o automóvel. Faz algo mais simples: pega nas vantagens de um elétrico e tenta eliminar a sua principal limitação. No quotidiano, conduz-se como um elétrico. É silencioso, suave e suficientemente autónomo para a maioria das deslocações. Quando chega uma viagem longa, o motor a gasolina assume o papel de gerador e permite continuar caminho sem depender exclusivamente da rede de carregamento.









Não é tão eficiente como um elétrico puro nem tão simples mecanicamente, mas oferece uma versatilidade difícil de ignorar.
E talvez seja precisamente essa a grande virtude do C10 REEV. Num momento em que muitos condutores ainda hesitam em passar para um elétrico por causa das viagens longas, esta solução apresenta uma resposta bastante convincente: 145 km para o dia a dia e quase 1.000 km quando é preciso ir mais longe.
MAIS
- Conforto
- Autonomia elétrica
MENOS
- Sistema multimédia pouco intuitivo
- Dinâmica
Leapmotor C10 REEV
- Leapmotor C10 REEV
- Motor: 4 cilindros
- Cilindrada: 1.499cc
- Potência (motor de combustão): 88 cv
- Binário máximo: 320 Nm
- Potência: 215 cv
- Bateria: 28,4 kWh úteis
- Tração: traseira
- Transmissão: automática
- Aceleração (0-100 km/h): 8,5 segundos
- Velocidade máxima: 170 km/h
- Consumo de combustível (WLTP Combinado): 0,4/100 km (6 litros/100 km em modo gasolina)
- Autonomia elétrica anunciada (WLTP): 145 km
- Peso: 1.950 kg
- Preços: 39.900 euros (a partir de 38.500 euros)



































