Alemanha pede aos fabricantes para atualizar carros Diesel mais antigos, mas as marcas recusam-se

Marcas já reagiram à publicação do documento que estabelece as diretrizes para as alterações nos carros a gasóleo mais antigos

0 aos 100 31/12/2018 Noticias

A Volkswagen, Daimler e a BMW mostram-se reticentes quanto às medidas apresentadas para a reformulação de hardware dos motores Diesel mais antigos, que permitiria torná-los mais ‘limpos’, para que os automóveis afetados não sejam impedidos de circular nas cidades alemãs (e outras) que decretem essa proibição.

O documento que estabelece as diretrizes para a realização das alterações nos carros a gasóleo mais antigos foi agora publicado pelo ministério dos Transportes alemão, mas os construtores estão pouco convencidos quanto à sua eficácia.

O problema encontra-se no custo (dependendo do modelo, oscilam entre os 1.400 e os 3.300 euros por carro) e as consequências das alterações: um maior consumo de combustível, emissões de CO2 e, em alguns casos, um desempenho reduzido. Marcas como a BMW recusam-se a fazê-lo.

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O plano do governo alemão para evitar as proibições de tráfego nas idades coloca todo o peso na indústria automóvel, já que está assente em incentivos não-governamentais para a compra de carros novos e em atualizações de hardware, algo que dividiu os fabricantes.

Um documento de 30 páginas publicado pelo Ministério dos Transportes estabelece os requisitos para aquilo a que chamaram de "licença de operação geral", necessária para que a autoridade de veículos motorizados da KBA aprove os kits de hardware. Este é um primeiro passo legal para atualizar os sistemas de filtragem de emissão de gases de escape dos carros a diesel antes da norma Euro 6d.

Contudo, dos 15 milhões de veículos a gasóleo que circulam nas estradas alemãs, apenas 2,7 milhões cumprem a norma.

Mas, a Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (VDA) mostra-se contra a solução em causa, argumentando, segundo a Autonews Europe, que os cidadãos deveriam comprar carros novos em vez de recorrer a modificações em veículos antigos.

Também os fabricantes estão divididos quanto a quem deve pagar os custos de atualização, uma vez que a maioria desses carros cumpriu as normas de emissões na altura em que foram vendidos.

A BMW recusa-se a fazer mudanças e defende incentivos para a compra de carros novos. De acordo com a empresa bávara, levaria até três anos para desenvolver e certificar atualizações no sistema de filtragem de emissões que não afetam o consumo de combustível ou causem desgaste extraordinário ao motor.

Pela sua parte, Volkswagen e Daimler admitiram cobrir alguns dos custos, mas de acordo com o chefe de pesquisa e desenvolvimento da Volkswagen, Frank Welsch, esta operação só traz desvantagens, como aumento do consumo de combustível e, portanto, um aumento de emissões de CO2 e, em alguns casos, perda de desempenho.

Certo é que o governo não poderá forçar a indústria a agir, pelo que terá de encontrar uma solução que fique a meio caminho entre as exigências dos grupos ambientalistas e a poderosa indústria automóvel alemã.

Toda esta indecisão acontece num momento em que aumenta do número de cidades alemãs que pretendem em proibir motores Diesel mais antigos.

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