Volkswagen, Daimler e BMW acusadas de usar macacos e humanos em testes de emissões

Nova polémica com emissões na indústria automóvel. Marcas alemãs financiaram estudo que testou os efeitos nocivos das emissões de gases de motores a gasóleo em humanos e macacos.

Miguel Costa 29/01/2018 Curiosidades

A Volkswagen, Daimler e BMW estão no centro de mais uma polémica envolvendo os motores Diesel. As três empresas, assim como o grupo Bosch, realizaram testes com animais, em 2014, em território norte-americano, por parte de um organismo europeu de saúde no setor do transporte, o UEGT, fundado pelos quatro grupos.

O estudo visava defender o uso de diesel após revelações de que os fumos emitidos pelos automóveis são cancerígenos. Os testes tiveram lugar em Albuquerque, no estado do Novo México. Aqui os macacos ficavam em câmaras hermeticamente fechadas, inalando fumo de um Volkswagen Beetle, denunciou o New York Times.

O UEGT era financiado pela Volkswagen, Daimler e BMW, não sendo claro se as marcas estavam conscientes do tipo de testes que o laboratório esta a conduzir.

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No sábado, a Volkswagen distanciou-se, em comunicado, de todas as formas de maus-tratos a animais. "Testes em animais contradizem os nossos princípios éticos", disse a empresa.

Do mesmo modo, a BMW recusa ter "influenciado de alguma forma a metodologia dos estudos realizados em nome do UEGT", acrescentando que não realiza estudos com recursos a animais.

Já a Daimler, dona da Mercedes-Benz, também distanciou-se das práticas do EUGT e adiantou que está a ser conduzida uma análise para determinar como é que esta experiência foi levada a cabo. "A Daimler não tolera ou suporta tratamento não ético de animais", acrescentou.

Agora, o caso adquire uma nova dimensão com o jornal alemão Süddeutsche Zeitung a afirmar que estes testes sobre os efeitos de inalação de óxidos de nitrogênio (NOx) também foram realizados com 25 humanos com boa saúde.

Bernd Althusmann, ministro da Economia da Baixa Saxônia, um estado federal acionista da VW, classificou essas experiências de "absurdos indesculpáveis", informou a agência DPA.

Depois do "dieselgate", as empresas alemãs decidiram acabar com a atividade do UEGT, atualmente em liquidação, segundo o Süddeutsche Zeitung.

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