Piloto português abdica da vitória para salvar cão

Decisão custou-lhe o "tetra", mas valeu-lhe o título de herói da prova

Miguel Costa 05/10/2017 Curiosidades

 

O Rali de Vouzela ficou marcado por um momento que está a dar muito que falar. Carlos Matos abdicou da vitória no rali que já venceu as três primeiras edições para salvar um cão.

Na segunda passagem pela penúltima prova especial um cão apareceu, de repente, na estrada quando Carlos Matos liderava a prova do Gondomar Automóvel Sport, no seu Ford Fiesta R5.

Como conta o site Pastores Alemães, o piloto de S. Pedro do Sul não hesitou e travou, perdendo bastante tempo com a manobra.

A decisão custou-lhe a vitória na prova, mas fez dele o herói da prova. “Há pequenas coisas que são maiores que tudo. Uma atitude nobre vale muito e define o carácter de um verdadeiro campeão”, escreveu Valter Vicente, na sua página de Facebook, quando soube desta história que se tornou viral nas redes sociais.

A atitude “ganha ainda mais significado quando se está a discutir a vitória”, escreveu, por seu turno, David Silva, juntando-se a centenas de mensagens pelo acto heróico de Carlos Matos, após livrar da morte quase certa do cão que circulava em plena especial, colocando em risco a competição.

Confrontado com a onda de solidariedade, o piloto de S. Pedro do Sul asseverou que quando partiu para a especial «estava rigorosamente empatado com o Vítor Pascoal e só pensava em ganhar o rali, sabendo de antemão que o Ford Fiesta R5 estava mais adequado para superar o piso sujo». «Entrei com o espírito de ganhar sem descurar a diversão e, face aos índices de confiança elevados, a possibilidade de desempatar a nosso favor madurecia no pensamento», avançou Carlos Matos.

No entanto, esse pensamento foi imediatamente “embargado” quando, numa curva, bastante suja, «apareceu o cão e, ao tomar a decisão correcta de desviar o Ford Fiesta R5 da trajetória para não matar o animal, disse ao Bino Santos, o meu navegador, que o rali estava irremediavelmente perdido e, a partir deste contratempo, levantei o pé e impus um andamento moderado para não correr riscos desnecessários», confidenciou.

«O cão não era muito grande, mas nesta vida não vale tudo. Quem me conhece sabe que tenho uma enorme admiração por animais. Tenho em minha casa cinco cães, havendo um que, à noite, não se deita enquanto não chegar. Caso o episódio se repetisse hoje, faria exatamente a mesma coisa», sustentou o piloto.

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