Sim, o nome é estranho. Foton é o nome de uma marca chinesa especializada em veículos comerciais, mas que conta em catálogo com uma interessante gama de pick-up’s, entre as quais a Tunland G7. É representada em Portugal pelo Grupo JAP e está disponível em versões elétrica e a gasóleo, esta última a opção que alimentava a unidade ensaiada.

Antes da parte prática, convém adiantar que, apesar de ter passaporte chinês, o ADN mecânico é decididamente global. Muitos dos componentes vêm, na verdade, dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido (motor Ricardo e caixa automática ZF, por exemplo), oferecendo uma combinação interessante e, acima de tudo, de elevado desempenho.
E a primeira impressão é impossível não ser positiva. Porquê? Esta Tunland G7 (a gama inclui ainda um modelo de topo G9) tem muito melhor aspeto do que possa parecer. E transmite robustez. As formas são convencionais de uma tradicional pick-up, o que desde logo é meio caminho andado para convencer os mais céticos. O enorme logotipo Foton na dianteira desperta curiosidade e os detalhes de versão “desportiva” reforçam o estilo dinâmico.
Ambiente quase de SUV
No interior, esta pick-up causa boa primeira impressão. Há muito espaço, muita luminosidade, e os materiais agradam à vista, e ao toque. Os bancos enchem o olho e não falta tecnologia. O sistema de info-entretenimento tem um generoso ecrã central de 10,3 polegadas, embora a sua utilização não seja muito intuitiva. Contudo, não há navegação. Contamos apenas com uma interface que, através da instalação de uma aplicação no smartphone, permite espelhar o ecrã deste. Para além disso, não existe o Português, ainda…

A posição de condução encontra-se com facilidade, graças à regulação elétrica do banco, enquanto o volante também é ajustável em altura e profundidade. No lado do condutor, o ajuste do banco é manual.
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A habitabilidade nesta cabina dupla é bastante generosa para todos os ocupantes. Os espaços para arrumações não faltam a bordo, incluindo suportes para copos, um compartimento em frente do seletor da transmissão e um outro por baixo do apoio de braços.

O porta-luvas tem uma dimensão aceitável. Entre os assentos dianteiros encontra-se um travão de estacionamento mecânico tradicional, mas para ligar o motor já existe um botão na coluna da direção.
Os bancos traseiros permitem acomodar três adultos com relativo conforto, mas são corridos e também podem rebater para criar um espaço de carga plano. As costas são direitas e o piso é elevado, semelhante a outras pick-up.

O compartimento de carga tem o comprimento habitual numa pick-up de cabina dupla, com 1,52 metros e os painéis laterais uma altura de 44 centímetros.
Potência suficiente
O motor está alinhado pela concorrência. Neste caso é um 2 litros de quatro cilindros concebido pela britânica Ricardo, auxiliado por um turbocompressor para debitar uma potência máxima de 163cv e um binário máximo de 390 Nm. É acompanhado por uma caixa manual de seis velocidades (automática de oito velocidades, em opção).

Em termos dinâmicos, o motor é relativamente rápido a subir de regime, mas as rotações esgotam depressa, obrigando o condutor a engrenar uma outra mudança, pelo que está mais vocacionado para utilizações a baixos regimes e a velocidades reduzidas.
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O refinamento do motor nunca foi o forte das pick-up e a Tunland G7 está longe de ser uma exceção. Quaisquer solicitações adicionais do acelerador têm como resposta um maior ruído oriundo do compartimento do motor. O ruído aerodinâmico oriundo dos grandes espelhos exteriores também é elevado.

Em estrada, o comportamento é equilibrado para uma pick-up. No entanto, a suspensão traseira de lâminas mostra-se saltitante com a caixa de carga vazia e também enfrenta algumas dificuldades em absorver os impactos provocados pelos ressaltos dos maus pisos.
Para apoiar as manobras num veículo com um comprimento exterior de 5,34 metros, esta pick-up conta com sensores de estacionamento e câmara traseira, o que beneficia (e muito) no momento de estacionar.
Fora de estrada
Se em estrada, a Tunland G7 oferece um nível satisfatório de estabilidade, apesar da direção ser pouco precisa, o caso muda de figura em todo-o-terreno onde se revela mais assertiva.

Para engrenar o sistema de tração integral ou as redutoras basta rodar um comando junto à alavanca da caixa de velocidades. As aptidões em fora de estrada são asseguradas por uma altura ao solo de 21 centímetros, um ângulo de ataque de 30 graus e de saída de 24 graus. Quando surgem obstáculos mais difíceis é possível ativar o controlo de estabilidade em descidas (HDC).
Em termos de consumo já se sabe que uma pick-up nunca é “amiga da carteira”, devido ao peso e aerodinâmica, mas registamos uma média de 8,5 litros (a Foton anuncia uma média combinada de 7,8 litros aos cem).










O equipamento da Tunland G7 é bastante completo, não faltando o ar condicionado automático, botão de ignição (Start-Stop), sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, acesso sem chave (keyless), retrovisores elétricos aquecidos e retráteis, bancos aquecidos (do condutor com regulação elétrica), sensor de luz e de chuva, entradas USB e Bluetooth, entre outros.
Em conclusão
A Tunlang G7 tem um preço de 40.652 euros nesta versão de caixa manual, um preço competitivo para quem procura uma pick-up robusta, bem equipada e capaz de surpreender no fora de estrada.
MAIS
- Conforto e dinâmica
- Robustez
- Espaço
MENOS
- Ecrã tátil
- Alguns materiais
- Caixa imprecisa
Foton Tunland G7 6MT
- Motor: 1968cc
- Potência: 163 cv
- Binário máximo: 390 Nm
- Tração: traseira
- Transmissão: manual de seis velocidades
- Aceleração (0-100 km/h):
- Velocidade máxima: 160 km/h
- Consumo de combustível (WLTP Combinado): 8,5 litros/100 km
- Peso: 1925kg
- Preço unidade ensaiada: 40.652 euros




































