Testamos o Renault 5 E-Tech 150cv Autonomia Comfort. Amor à primeira vista

O design retro é o primeiro argumento do Renault 5, mas não é o mais importante. Conduzimos a versão mais potente, equipada com a bateria de maior capacidade, para descobrir se este elétrico é mais do que um exercício de nostalgia.

Se procura um automóvel que se destaque da multidão, com um design arrojado que chame a atenção tanto em movimento como parado, o novo Renault 5 E-Tech foi feito para si. E se for na cor amarela do modelo testado (que, francamente, é a mais gira), será o centro das atenções.

O R5 é pequeno para os padrões do segmento dos utilitários. Mede 3,92 metros de comprimento; ou seja, é 14 cm mais curto que um Clio, o seu equivalente à combustão. Por outro lado, a altura (1,50 metros) e distância entre eixos (2,54 metros) são bastante generosas. Embora o seu formato voluptuoso confira um aspeto algo largo, esta medida, na verdade, é de 1,77 metros, o que é bastante razoável.

A estética é um dos pontos fortes. O desenho do R5 não é simplesmente retro, mas antes retrofuturista, uma vez que parece moderno de todos os ângulos; na verdade, é surpreendentemente semelhante ao protótipo do R5 de 2020, algo invulgar na indústria. A dianteira mantém elementos característicos do modelo original, como os faróis trapezoidais, que incluem uma pequena bandeira francesa e uma “pupila” que nos pisca quando destrancamos o carro.

As luzes diurnas LED, que também funcionam como indicadores de mudança de direção, têm um design quadrado que se assemelha a um código QR. As versões mais completas contam ainda com um indicador no capot em formato de número 5, mostrando o nível de carga restante. Todas as versões vêm com jantes de 18 polegadas.

Tal como no Clio, Zoe e Mégane, os puxadores das portas traseiras estão escondidos na coluna C. Os guarda-lamas também estão ligeiramente alargados, uma referência ao R5 Turbo de 1980. A traseira, por sua vez, aproxima-se mais ao Supercinco de 1984, com farolins verticais que apresentam um elaborado padrão de malha interna. A matrícula foi transportada para o pára-choques e, para evitar que a tampa da bagageira pareça demasiado simples, a Renault adicionou um friso com ranhuras que incorpora os nomes da marca e do modelo.

Um interior moderno e sofisticado

O interior do R5 foge ao minimalismo predominante na indústria, optando por uma atmosfera requintada que combina modernidade e classicismo em igual medida. O painel de bordo apresenta uma barra transversal almofadada que faz lembrar o desenho animado Supercinco, enquanto os bancos em forma de H, com os seus apoios laterais pronunciados, prestam mais uma vez homenagem ao R5 Turbo.

Estes não são os únicos detalhes de design marcantes: as entradas de ar imitam o formato das luzes diurnas, a versão topo de gama inclui a inscrição “Renault 5” retroiluminada em frente ao banco do passageiro, o tejadilho apresenta um padrão quadriculado em relevo.

A qualidade de construção é acima do esperado: embora os plásticos utilizados no painel de bordo e nas portas sejam duros, têm um bom aspeto. E tudo está bem montado.

De resto, sublinhar os controlos físicos do ar condicionado e o posicionamento do painel de instrumentos digital (entre 7 e 10 polegadas) – diferente do ecrã táctil de 10 polegadas -, para que possa ser visualizado facilmente sem que o volante obstrua a informação. Por outro lado, a utilização de três manetes no lado direito do volante (seletor de velocidades, limpa-para-brisas e sistema de som) pode ser um pouco confusa.

O sistema multimédia OpenR Link, baseado no Android Automotive, merece destaque. É um dos melhores sistemas de infoentretenimento do mercado em termos de design e capacidade de resposta; integra também funcionalidades como o Google Maps, o Google Assistant e mais de 50 aplicações diferentes (Spotify, Waze, etc.). A interface pode ser personalizada com a escolha de 8 cores, 2 espessuras e 4 texturas, resultando em 128 combinações diferentes. Naturalmente, oferece conectividade sem fios através de Android Auto e Apple CarPlay.

O R5 incorpora ainda o assistente virtual “Reno”, um avatar capaz de responder às 200 perguntas mais frequentes dos clientes sobre o veículo e de manter uma conversa fluida graças à integração com o ChatGPT. Tem, ainda, a capacidade de gerir todo o sistema de entretenimento, “guiar” até à estação de carregamento mais próxima ou oferecer dicas sobre como otimizar a autonomia ou até sugerir a ativação dos limpa para-brisas, por exemplo. Reno aparece sempre que entra no veículo para se apresentar e oferecer os seus serviços.

O habitáculo está homologado para 5 lugares, embora os bancos traseiros não sejam particularmente espaçosos. O quinto assento é bastante estreito, mas a ausência de túnel central melhora a sua utilização. A bagageira tem uma capacidade de 277 litros, um valor apenas adequado.

Ao volante

A unidade testada estava equipada com a bateria de 52 kWh, a maior disponível, denominada Autonomia Comfort, com a promessa de 410 km de autonomia. Com 150cv e 245 Nm de binário transmitidos às rodas dianteiras, o R5 ganha velocidade com rapidez, com uma resposta ao acelerador muito natural e imediata, ganhando velocidade à medida que se pressiona o acelerador. No outro extremo, a travagem tem uma sensação peculiar. É do tipo brake-by-wire e está calibrada para que, aconteça o que acontecer, a travagem se comporte sempre da mesma forma. O seu curso é curto e preciso.

Em estrada, o R5 mostra-se divertido, pois o carro foi projetado para isso. Tem bons pneus, a suspensão é firme, é largo e também tem bastante potência. Dispõe de três modos de condução: Eco, Comfort e Sport, além de um modo personalizável, que afetam a assistência da direção e a resposta ao pisar do acelerador. A diferença não é enorme, mas nota-se quando se alterna do modo Eco para o Sport.

Ativando-se o modo Sport e as sensações intensificam-se. O Renault 5 é mais responsivo, a entrada e a saída de curvas são excelentes e a direção é rápida, embora pudesse ser mais comunicativa. O carro mantém a trajetória muito bem e é difícil sair dela (a não ser que esteja a conduzir muito depressa). Há uma inércia e um rolamento da carroçaria mínimos, e uma grande sensação de segurança. Tal como em estrada, e especialmente a velocidades mais elevadas, a autonomia diminui rapidamente.

Em cidade, revela-se ágil, rápido nas manobras e um tamanho compacto que o torna praticamente como um kart. Com o modo B ativo e a conduzir com calma, conseguimos médias abaixo dos 10 kWh/100 km, um verdadeiro feito (conseguimos percorrer 130 km e o indicador de autonomia tinha descido apenas 85 km), o que nos aproxima dos 410 km de autonomia prometidos.

Em condições mais, digamos “normais”, conseguem-se médias na ordem dos 13 a 15 kWh aos 100 km.

“E não haverá um Renault 5 a gasolina?”

Juntamente com comentários como “Tive um, mas o original”, “É muito bom, tão fixe” e outros, uma das perguntas mais frequentes que ouvimos durante este teste foi se haveria um Renault 5 a gasolina.

A resposta é clara: não. Isto leva-nos a duas conclusões. A primeira é que, dada a capacidade deste carro para atrair a atenção, o público em geral poderá considerar a compra de um carro elétrico, mesmo que não o tenha considerado anteriormente. É tão apelativo que algumas pessoas estão dispostas a mudar os seus hábitos.

O R5 E-Tech carrega a um máximo de 100 kW utilizando corrente contínua (CC). No melhor cenário, a bateria vai dos 15 aos 80% em 30 minutos. Quem utilizar o carregador CA deve prever pelo menos 4,5 horas com o carregador padrão de 11 kW para uma carga completa.

Em termos de equipamento, o R5 conta com algumas tecnologias inéditas no segmento B: travagem automática de emergência em marcha-atrás, deteção frontal com assistente de manutenção de faixa de emergência, deteção traseira com assistente de manutenção de faixa de emergência e saída segura dos ocupantes.

A versão testada, iconic cinq, é a mais cara da gama (excetuando a edição especial Roland Garros) e tem preços a partir dos 35 mil euros, com a versão ensaiada a aproximar-se vertiginosamente dos 40 mil euros. Contudo, conta de série, com equipamentos, como volante aquecido, bancos aquecidos, jantes em liga leve de 18 polegadas, sensores de chuva e luminosidade, ar condicionado automático, comutação automática de luzes de estrada / cruzamento, carregador de smartphone por indução ou assistente pessoal virtual “Reno”.

Em conclusão

O Renault 5 é uma proposta muito ambiciosa e com muitos pontos positivos. A estética é cativante, está repleto de tecnologia, oferece uma experiência de condução verdadeiramente agradável e os preços são bastante competitivos, atendendo a que se trata de um modelo de “paixão”. Embora continue a ser relativamente caro em termos absolutos, torna-se comparável a um carro citadino equivalente com motor a combustão. De qualquer forma, o sucesso parece praticamente garantido.

MAIS

  • Estilo
  • Conforto
  • Agilidade

MENOS

  • Bancos traseiros
  • Acesso à bagageira
  • Ausência de patilhas no volante para travagem regenerativa

Renault 5 E-Tech Iconic cinq 150cv Autonomia Comfort

  • Motor: elétrico
  • Capacidade da bateria: 52 kWh
  • Potência: 150 cv
  • Binário máximo: 245 Nm
  • Tração: Dianteira
  • Caixa: automática
  • Aceleração (0-100 km/h): 8 segundos
  • Velocidade máxima: 150 km/h
  • Consumo de combustível (WLTP Combinado): 15 kWh/100 km
  • Autonomia elétrica (combinada): 410 km
  • Peso: 1525 kg
  • Preço da versão base: 24.900 euros (Iconic 5 a partir de 35.000 euros)
  • Preço unidade ensaiada: 38.100 euros
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