O gás de petróleo liquefeito (GPL) consolidou-se nos últimos anos como uma alternativa acessível aos combustíveis tradicionais no mercado automóvel europeu, impulsionado sobretudo pelo Grupo Renault. No entanto, esta tecnologia poderá deixar de ter espaço na oferta das marcas já a partir de 2030, devido ao aperto das normas ambientais da União Europeia.
Actualmente, a Renault e a Dacia dominam de forma clara o mercado europeu de veículos a GPL, concentrando cerca de 89% das vendas. A marca romena, em particular, tornou esta tecnologia um dos pilares da sua estratégia, disponibilizando versões a gás em praticamente toda a sua gama, incluindo modelos como o Duster e o mais recente Bigster.
O principal responsável pelo volume de vendas continua a ser o Dacia Sandero, o automóvel mais vendido na Europa e em Espanha em 2025, que representa mais de metade dos veículos a GPL comercializados pela marca. Esta solução permite às fabricantes reduzir as emissões médias de CO₂ das suas frotas em cerca de 10 g/km, valor que pode atingir os 20 g/km nos modelos equipados com sistemas de hibridização ligeira.
Para os consumidores, o GPL mantém-se uma opção financeiramente atractiva, graças ao preço mais baixo do combustível face à gasolina e às autonomias elevadas, que podem aproximar-se dos 1.500 quilómetros graças à utilização de dois depósitos.
Apesar do crescimento e das vantagens imediatas, a continuidade do GPL a médio prazo está em risco. Frank Marotte, responsável comercial da Dacia, reconhece que a tecnologia tem um horizonte limitado: trata-se de uma solução de transição que dificilmente poderá manter-se para além de 2030, à medida que as regras europeias sobre emissões se tornem mais exigentes.
As futuras metas ambientais da União Europeia irão reduzir progressivamente a utilidade do GPL como ferramenta de cumprimento das médias de emissões, empurrando os construtores para soluções cada vez mais electrificadas.
Ainda assim, o gás continua a ganhar expressão no curto prazo. Em 2025, foram vendidos 347.717 automóveis a GPL na Europa, um crescimento de 9,8% em relação ao ano anterior. A Renault e a Dacia lideraram este aumento, com uma subida de 14%, seguidas da italiana DR Motor Company e do grupo Hyundai-Kia.
A Itália manteve-se como o maior mercado europeu para esta tecnologia, representando 41% das vendas totais, enquanto Espanha se destacou pelo maior crescimento percentual, com um aumento de 77%, atingindo 59.225 unidades vendidas.
Apesar do bom desempenho comercial, o GPL surge cada vez mais como uma solução temporária num mercado que caminha de forma acelerada para a electrificação total.




































