Ensaio ao Honda Jazz. Fiel aos seus princípios

Tem espaço para dar e vender e uma motorização híbrida super-eficiente. Uma combinação capaz de fazer a diferença entre os utilitários.

Luis Neves 13/08/2021 Testes

É um dos modelos que se confunde com a Honda, a par do Civic, por exemplo, especialmente pelo impacto da primeira geração (quem não se lembra do primeiro Jazz, por exemplo...), pela ousadia (na altura) e pelas vendas, algo associado às suas inúmeras qualidades. Qualidades essas que são recuperadas na última geração, como robustez ou o espaço. Só para enumerar algumas que marcaram a primeira geração. A que se juntam agora duas imprescindíveis nos dias de hoje: tecnologia e eficiência. Algo que o Jazz cumpre com elevada distinção.

Espaço para dar e vender

Se por fora, o formato monovolume pode estranhar (e depois entranha-se...), por dentro o Jazz, que já vai na quarta geração, convence totalmente. O interior não é mais do que aquilo a que o Jazz já nos habituou, ou seja, um habitáculo amplo e prático, líder no popular segmento B (e superior a alguns modelos do segmento acima).

Quem sai prejudicada é a bagageira, que oferece apenas 304 litros, em grande parte com culpas para a mecânica híbrida, uma capacidade que pode estender-se aos 1205 litros com o rebatimento dos encostos traseiros. No entanto, o grande segredo do Jazz são os bancos traseiros “mágicos”, que permitem elevar o assento na vertical e assim criar um grande espaço de carga entre portas para, por exemplo, transportar duas bicicletas urbanas mantendo a capacidade da bagageira.

O painel de instrumentos é totalmente digital e inclui um pequeno ecrã que fornece um vasto conjunto de informações, incluindo a velocidade instantânea, o consumo médio, a autonomia, distância percorrida, entre outros. Este ecrã é ladeado por dois indicadores: carga da bateria do sistema híbrido e nível de combustível, de 40 litros.

A parte superior da consola central apresenta um ecrã tátil de nove polegadas, que conta com menus intuitivos e acessos diretos na parte inferior. Além da navegação ou da ligação à Internet também é compatível com Android Auto e Apple CarPlay.

O lugar do condutor está bem servido por bancos cómodos, em tecido, e colocação perfeita do comando da caixa de velocidades. Os locais de arrumo são abundantes, em particular o gigantesco espaço que existe à frente do passageiro, além do tradicional porta luvas.

O que poderá não agradar (ou a não desencadear paixões....) será o aspeto de alguns plásticos, que não faz justiça à excelente montagem e robustez geral, que culmina numa imensa sensação de suavidade rolante.

Só um motor disponível

O motor e:HEV, o único disponível no Jazz, é uma solução híbrida bastante evoluída tecnologicamente, composta por um motor a gasolina de 1,5 litros de 98 cv e dois motores elétricos – um deles de tração com 109 cv e um outro que funciona como gerador para alimentar o motor elétrico de tração com energia oriunda do motor de combustão.

Complicado? Passamos a explicar: durante a condução modo EV Drive (100% elétrico, ativado por defeito no arranque e a baixa solicitação de energia ao motor térmico), Hybrid Drive (unidades gasolina/elétrica em comunhão de esforços, quando a exigência de potência aumenta) e Engine Drive (configuração mais eficiente a velocidades mais altas, quase exclusiva com motor de combustão, em que o elétrico só pontualmente intervém).

O sistema dá prioridade ao modo zero emissões sempre que possível, seja na cidade ou em estrada, desde que o nível de carga da bateria o permita. Em caso de maior exigência, em aceleração mais brusca ou autoestrada, o motor térmico tem a ajuda do elétrico.

Em números, o Jazz é capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 9,5 segundos e alcançar uma velocidade máxima de 175 km/h, valores perfeitamente adequados ao objetivo e aptidão do Jazz.

Como se trata de um híbrido “puro”, sem ligação à tomada, conta com uma bateria de apenas 1 kWh, mas a eficiência do conjunto permite percorrer uma boa distância em modo elétrico, com benefícios claros a nível de consumo de combustível. É possível fazer médias de consumo de apenas 3,5 litros aos cem, subindo para os 4,5 litros em condução mais dinâmica.

A mecânica é acompanhada por uma transmissão variável contínua controlada eletronicamente, denominada eCVT, para criar uma conexão única entre os componentes móveis. O resultado traduz-se numa transição suave de binário com uma sensação linear durante a aceleração em todos os modos de condução. Contudo, quando é necessário carregar mais no acelerador, a caixa eCVT faz subir consideravelmente a rotação e também o ruído oriundo do motor.

Tratando-se de um familiar, a suspensão dá, naturalmente, prioridade ao conforto. Os amortecedores filtram com eficácia as imperfeições do piso, mas não conseguem evitar um excessivo adornamento da carroçaria em curva.

Em conclusão

O Jazz concentra as qualidades reconhecidas desde o primeiro Jazz, nomeadamente a impressionante habitabilidade para um citadino, com um sistema híbrido bastante eficiente, com um baixo consumo de combustível.

Pela negativa o preço de venda ao público de 26.350 euros, um valor elevado para um citadino, compensado pelo conteúdo tecnológico e um nível de equipamento onde parece não faltar nada.

MAIS

  • Consumo
  • Espaço
  • Equipamento

MENOS

  • Motor ruidoso
  • Bagageira
  • Preço

FICHA TÉCNICA

Honda Jazz e:HEV Executive
Motor: 4 cilindros em linha, injeção direta, gasolina + motor elétrico
Cilindrada: 1498 cm3
Potência: 109cv/5500 rpm 
Binário máximo: 131 Nm/4500 rpm
Tração: Dianteira
Caixa: automática CVT
Aceleração (0-100 km/h): 9,5 segundos
Velocidade máxima: 175 km/h 
Consumo médio (anunciado): 4,6 l/100 km (WLTP)
Emissões de CO2: 104 g/km (WLTP)
Peso: 1228 kg
Preço unidade ensaiada: 26.350 euros (desde 25.500 euros)

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