Ensaio ao Nissan Juke 1.0 DIG-T N-Design: Perfil ganhador

Goste-se ou não, o primeiro Juke foi uma pedrada no charco, nomeadamente entre os SUV compactos. A segunda geração resolveu os defeitos, sem perder toda a originalidade.

Luis Neves 09/05/2021 Testes

A ideia é a mesma do primeiro Juke: estilo irreverente e desenho tipo SUV Coupé. A diferença para o primeiro Juke? Um interior mais “habitável”, com maior espaço disponível, melhores materiais, mais tecnologia e, especialmente, um estilo mais consensual, sem deixar de lado a diferença. Em poucas palavras está assim resumido o novo Juke.

O SUV compacto que marcou uma era foi reformulado na totalidade. O objetivo parece ter sido claro e objetivo: melhorar os pontos de que eram alvo de crítica, sem, contudo, perder a originalidade. Algo que foi perfeitamente alcançado.

O que mais salta à vista é a imagem diferenciada – ninguém consegue confundir o Juke com outros modelos equiparados -, e o estilo está mais agressivo e moderno, sem perder a identidade do Juke. Estão lá os faróis circulares, que algumas marcas já procuraram replicar, a enorme grelha que termina nas óticas afiladas, que quase passam despercebidas.

A subida de patamar do novo Juke verifica-se desde logo nas dimensões. Cresceu em comprimento (7,5 cm) e distância entre eixos (10,5 cm), pelo que o espaço a bordo beneficiou disso, algo que se percebe na distância atrás para as pernas dos ocupantes, entre os assentos e os encostos da frente ou na bagageira, agora com 422 litros (antes escassos 354 litros), quase tanto quanto o disponível no Qashqai.

Atrás, aumentou o espaço para as pernas (a distância entre eixos cresceu 10 cm) e a altura ao teto não é muito ampla devido à forma do tejadilho. Apesar disso, não há constrangimentos para os ocupantes de maior estatura, mesmo que os encostos até estejam num plano vertical, a direito, e o forro em pele/Alcantara seja duro, em especial na zona lombar.

O ambiente, de resto, é premium e reforçado pela ótima ergonomia, assim como pelo ecrã tátil de 8’’ no topo da consola, que continua (e bem...) a replicar o depósito de uma moto. Destaque ainda para o sistema de som Bose, com colunas integradas nos bancos.

E agora, a condução...

Ao volante, é fácil encontrar o melhor acerto, tendo ajustes fáceis e corretos, inclusive sem estar num plano demasiado elevado, e isto apesar de ser um SUV. A aderência ao asfalto é elevada e o empenho dinâmico aproveita isso, sendo visível uma grande eficácia em todas as situações.

O motor “mil” de três cilindros, o único disponível no Juke, é silencioso e tem um desempenho eficaz em qualquer circunstância, sem esforço nas subidas de regime, indiferente à presença de uma caixa automática, neste caso a caixa DCT de dupla embraiagem, que merece elogios pela suavidade no aproveitamento do binário disponível. A resposta dos 114cv é progressiva e as retomas de velocidade também se encontram num bom plano.

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As qualidades não se ficam por aqui e estendem-se também ao consumo, que pode oscilar entre os 5,2 e os 6,5 l/100 km, dependendo do tipo de condução, algo interessante dado que este Juke está equipado com caixa automática, a qual garante outro conforto e maior facilidade de condução.

O funcionamento da transmissão DCT é aprimorado, sem grandes hesitações ou reações bruscas, à exceção da menor suavidade nalguns arranques. Conta com modos de condução Eco, Standard e Sport. A verdade é que a sensação de direção ou a reatividade do acelerador muda um pouco, mas sem que haja uma grande mudança no caráter.

Quanto ao desempenho dinâmico, a Nissan anuncia para a versão equipada com a caixa automática uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 11,1 segundos e uma velocidade máxima de 180 km/h.

Em curva, o Juke é beneficiado pelo excelente acerto do chassis, transmitindo muita confiança. A inclinação da carroçaria em curva não é demasiado acentuada e as ligações ao solo também não são muito firmes, apesar das jantes de 19 polegadas, algo que o conforto agradece.

Na cidade está como peixe na água graças à sua notável agilidade, ao que não é alheio a direção rápida e direta, embora pudesse ser menos assistida. É um carro muito ágil graças ao seu baixo peso de apenas 1.182 kg, aspeto em que se destaca em relação a alguns dos seus mais diretos rivais.

Quanto a assistências eletrónicas, de destacar o aviso de ângulo morto, alerta de transposição de faixa e/ou o cruise-control adaptativo com controlo da distância (para o carro da frente), além da travagem ativa em cidade (Front Assist, por radar), elementos nem sempre presentes em modelos deste tipo de categoria (segmento B), embora essa generalização seja cada vez mais habitual.

E o preço?

Com preços de gama a partir dos 21.130 euros, a versão ensaiada N-Design apresenta-se com preço de partida de 27.780 euros, embora com as campanhas atualmente em vigor o preço de venda ao pública esteja fixado nos 24.700 euros, valor extremamente atrativo atendendo às inúmeras qualidades do Juke.

Conta com um bom equipamento de série, é ágil, relativamente confortável e oferece uma boa habitabilidade, além de ter um estilo distinto e ousado, algo que conta muito num segmento em que o “estilo” faz (toda) a diferença.

FICHA TÉCNICA

Nissan Juke 1.0 DIG-T N-Design
Motor: 3 cilindros turbo
Cilindrada: 999 cm3
Potência: 114cv/5250 rpm 
Binário máximo: 200 Nm/1750 rpm a 3.750 rpm
Tração: Dianteira
Caixa: automática DCT de 7 velocidades
Aceleração (0-100 km/h): 11,1 segundos
Velocidade máxima: 180 km/h 
Consumo médio (anunciado): 6,4 l/100 km (WLTP)
Emissões de CO2: 144 g/km (WLTP)
Peso: 1725 kg
Preço unidade ensaiada: cerca de 30.000 euros (desde 21.135 euros)

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