Ensaio ao Mercedes-Benz B 250e: ora elétrico, ora gasolina!

Um híbrido plug-in a gasolina, com 218cv e uma autonomia em modo elétrico para cerca de 70 km

Luis Neves 27/12/2020 Testes

A tecnologia híbrida Plug-in evoluiu tanto que já atingiu um patamar muito acima do simples conceito ambientalista, compatibilizando performances e eficiência, que é, afinal, o que se pretende com estas motorizações. É o caso da tecnologia híbrida Plug-in empregue no Mercedes-Benz B 250e, uma solução que permite o melhor de dois mundos, alcançando-se consumos baixos e, simultaneamente, prestações elevadas, uma vez que a mecânica alcança uma potência máxima de 218 cv de potência. Por outro lado, oferece autonomia elétrica que não deixa ninguém de “coração na mão” sempre que se faz à estrada. 

A questão do consumo é bastante variável e isso é de tal forma evidente que poderá baralhar alguns cálculos diretos, até porque tudo dependerá do tipo de condução e dos percursos adotados pelo condutor (no limite, da pressão do pé direito...) e dos modos de condução escolhidos, em consonância com o que se pretenderá para cada percurso.

Autonomia elétrica

A bateria de 15,6 kWh (superior à da Volkswagen nos GTE, por exemplo, que é de 13 kWh, por exemplo, ou do BMW 225xe, que é de 7,7 kWh) permite uma autonomia máxima anunciada de 66 km (em ciclo WLTP). Nós conseguimos por mais que uma vez mais de 60 km elétricos (63 km, com uma média de velocidade de 35 km/h).

E os consumos?

Esgotada a bateria, o motor 1.3 a gasolina entra em ação, sendo normal que a média dos 100 km iniciais se coloque entre os 2 e os 3 litros aos cem (com a bateria totalmente carregada). Na impossibilidade de ligar à corrente sempre que o carro esteja parado, conte-se com valores na ordem dos 6 l/100 km, variando aqui, naturalmente, do tipo de condução adotado. O que é de louvar face às performances permitidas, de autêntico desportivo, embora este Classe B como que peça para ser utilizada de mansinho.

Os resultados dos consumos espelham sempre a referida adequação do potencial técnico à utilização e às possibilidades de carregamento. Por isso, haverá quem ao final de uma semana de deslocações entre casa e trabalho possa ver inscrito no computador de bordo médias de consumo de gasolina na ordem dos 2 litros aos 100 km.

É óbvio que há maior poupança com apoio continuado do modo “Elétrico”, tanto mais se os trajetos diários não forem acima de 50 km, equacionando-se a repetição dos carregamentos. Os tempos de carga numa tomada doméstica normal atingem intervalos de 5h50 a 6h00, que descem a 1h45m numa tomada de 24 Kw em corrente continua.

Entre os vários modos de condução encontra-se o modo Sport (existe ainda os modos ‘Electric’, ‘Eco’ e ‘Battery Level’), que permite uma condução mais desportiva e acelerações possantes, aproveitando-se todo o potencial combinado da mecânica, nomeadamente dos 218cv (quase o mesmo do antigo A250 equipado com um motor de 2 litros de cilindrada).

6,8 segundos dos 0 aos 100 km/h!

Neste caso dispomos de uma máquina capaz de uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 6,8 segundos e uma velocidade máxima de 235 km/h (140 km/h em modo elétrico), apesar do elevado peso (1725 kg, dos quais 150 kg são da bateria, motor elétrico e sistemas auxiliares).

No interior, o Classe B destaca-se pela digitalização a bordo, com os dois enormes ecrãs onde se concentram todas as informações, sendo que os menus são específicos para esta versão Plug-in (indicadores de bateria, programas de recarga, índices de eficiência, fluxogramas e algumas outras coisas...).

Veja ainda:

A monitorização dos consumos e do fluxo de energia pode ser seguida no ecrã central, existindo vários menus para o efeito, facilitando estratégias a seguir para melhorar a eficiência. É esse o lado (quase) prioritário de um modelo híbrido, o qual acaba por influenciar a atitude de quem o conduz.

Visto por fora, poucos identificam a sua natureza híbrida plug-in. Apenas alguns dísticos “EQ Power” (também presentes no interior) o identificam, além das jantes especificas (bonitas, por sinal). 

Redução? Só no depósito de combustível!

No habitáculo, de resto, não se nota qualquer limitação de espaço em relação à versão “tradicional”: a bateria encontra-se sob os bancos traseiros, condição que eleva ligeiramente a posição dos ocupantes. Sem exageros. Em compensação, não rouba espaço à capacidade da bagageira, na ordem dos 455 litros (que podem chegar aos 700 litros com o banco traseiro rebatido). Apenas o depósito de combustível sofreu uma redução. Neste caso de 35 litros.

O B250e é alternativa compensadora às versões de combustão comparáveis do Classe B, sem constrangimentos que pudessem advir da sua tecnologia… alternativa, a não ser uma simples, intuitiva e, quiçá, lúdica mudança de hábitos de condução para maximizar a eficiência, afinal a principal mais-valia deste conceito de motorização. De resto, o conforto e espaço similares aos dos não-híbridos da gama.

Na maioria dos casos, a versão híbrida Plug-in do Classe B poderá surgir como alternativa às variantes Diesel da própria gama, tendo preço equivalente ao B 200d de 150cv e abaixo do B 220d de 190cv (desde 48.700 euros). 

Em Portugal, o B250e está disponível a partir de 43.350 euros, embora a unidade ensaiada, gentilmente cedida pela Soc. Com C. Santos, contava com um conjunto de extras que elevam o valor para mais de 50 mil euros. Entre as opções, destaque para a linha AMG (2.549 euros), painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas (549,99 euros) ou o assistente de ângulo morto (549,99 euros.).

É caro o Mercedes B 250e?

Se considerarmos o preço de acesso, de 43.350 euros (sem campanhas ou descontos) obviamente é muito por um familiar compacto. Mas falamos de um compacto Premium e se compararmos com outros modelos da gama pode ser uma excelente opção, especialmente para aqueles que aproveitem a autonomia elétrica, reduzindo significativamente os custos de deslocação.

Por exemplo, o A 200 é 7.000 euros mais barato, mas também é menos potente (163cv versus 218) e os consumos são muito mais elevados, especialmente em cidade. Se compararmos com o B220d de 190cv é 5.000 euros mais barato.

Como se trata de viatura híbrida plug-in (com mais de 50 km de autonomia elétrica) permite ainda a dedução do IVA e a taxa de tributação autónoma para empresas é reduzida. Por outro lado, é possível destacar a extrema suavidade da condução e o baixo ruído, a par do excelente conforto a bordo, num habitáculo amplo, digitalizado e com um patamar de qualidade inquestionável.

MAIS

  • Qualidade
  • Tecnologia
  • Consumos

MENOS

  • Peso elevado 
  • Preço

FICHA TÉCNICA

Mercedes-Benz B250e
Motor: quatro cilindros
Cilindrada: 1332 cm3
Potência: 160cv/5500 rpm (102cv - motor elétrico)
Binário máximo: 230 Nm/1620 rpm (300Nm - motor elétrico)
Tração: Dianteira
Caixa: automática de 8 velocidades
Aceleração (0-100 km/h): 6,8 segundos
Velocidade máxima: 235 km/h (140 km/h em modo elétrico)
Consumo médio (anunciado): 1,1 l/100 km (WLTP)
Emissões de CO2: 26 g/km (WLTP)
Peso: 1725 kg
Preço unidade ensaiada: 43.349 euros

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