Dakar2020: Quatro portugueses na luta pela vitória em diferentes categorias

Prova arranca este domingo, 5 de janeiro, na Arábia Saudita.

0 aos 100 03/01/2020 Desporto

Quatro pilotos portugueses vão estar em luta pela vitória em diferentes categorias na edição de 2020 do Dakar, que arranca no domingo de Jeddah, na Arábia Saudita, e termina no dia 17, em Riade. Ao todo são 13 os portugueses que vão disputar a primeira edição do Dakar na Arábia Saudita.

Se Paulo Gonçalves (Hero) regressa a uma prova em que já foi segundo classificado (2015), após um ano de ausência devido a lesão, o antigo 'motard' Ruben Faria assumiu o comando desportivo da equipa oficial da Honda nas duas rodas. Nos automóveis, o navegador Paulo Fiúza acompanha o francês Stéphane Peterhansel (Mini), que soma já 13 triunfos na prova.

Nos SSV, Pedro Bianchi Prata navega o piloto de ralis Conrad Rautenbach também com os olhos postos no triunfo.

À partida, o 'motard' Paulo Gonçalves é o mais comedido no discurso. "O principal objetivo é terminar. Assegurada essa parte, espero fazê-lo, se possível, com um bom resultado", declarou à Agência Lusa o piloto de Esposende, de 39 anos.

Depois de cinco anos na equipa oficial da Honda, o antigo campeão nacional de motocrosse, supercrosse e enduro, ingressou na indiana Hero.

"A mota é boa, equilibrada e fiável. A prova vai ter muita areia mas também pistas em rios secos, com muita navegação. São cerca de cinco mil quilómetros de especiais, o dobro do ano passado. A regularidade vai ser um fator determinante", disse o piloto de Esposende a caminho do seu 13.º Dakar.

Este ano, dá-se o facto de ser companheiro de equipa do cunhado e antigo rival das pistas de motocrosse, Joaquim Rodrigues Jr. "Cada um vai tentar fazer o seu melhor. Não valorizo em demasia o facto de sermos cunhados", sublinhou Paulo Gonçalves.

Já Ruben Faria, que em 2019 também integrou a estrutura da Honda, é o novo diretor desportivo da equipa que vai tentar interromper o domínio da KTM, que vence há 18 anos consecutivos.

"Trabalhámos imenso para esta prova, fizemos vários testes e, no Japão, estão a dar o máximo. Este é o ano em que os pilotos estão em melhor forma física", destacou o algarvio, responsável por gerir uma equipa com 30 pessoas: "Não é uma tarefa nada fácil. Temos elementos de várias nacionalidades, diferentes culturas e é preciso satisfazer todos."

As motas congregam metade do contingente português. Além de Paulo Gonçalves e Joaquim Rodrigues Jr. na Hero, Mário Patrão (KTM) e António Maio (Yamaha), que nos últimos 15 anos dominaram o TT nacional, procuram ainda a sua afirmação nesta maratona.

Patrão, empresário de Seia, integra a equipa da KTM com o objetivo de lutar "por um lugar nos 20 primeiros", depois de ter falhado a prova do ano passado por lesão.

"Estive oito meses arredado das competições para poder recuperar e quando regressei tentei disputar o maior número de corridas possível", disse o piloto serrano, que em 2016 triunfou na classe maratona e concluiu a prova na 13ª posição.

Já o capitão da GNR António Maio espera redimir-se dos problemas mecânicos sofridos em 2019 e conseguir terminar "dentro do top-20".

Nas motas participam ainda o luso-germânico Sebastian Bühler (KTM) e o luso-espanhol Fausto Mota (Husqvarna), um empresário de construção civil natural de Marco de Canavezes que há vários anos está radicado em Espanha.

Nos automóveis, o navegador Paulo Fiúza foi o escolhido para, à última hora, substituir a alemã Andrea Mayer, que deveria acompanhar o seu marido, o francês Stéphane Peterhansel. "Para mim, é uma honra", disse à Lusa o navegador, natural de Mafra.

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Com 13 vitórias na competição, seis em mota e sete em carro, Peterhansel é conhecido como o 'Sr. Dakar'. Por isso, lutar pela vitória "será natural", explicou o navegador português, que já acompanhou, entre outros, os portugueses Carlos Sousa e Ricardo Leal dos Santos, além do argentino Orlando Terranova.

"Como já era membro da equipa, estava na calha para o que fosse preciso", explicou, depois de Andrea Mayer não ter recebido autorização médica para competir na sequência de um acidente sofrido na preparação para esta prova.

Quem também parte com ambições de lutar pela vitória, mas nos SSV, é o antigo 'motard' Pedro Bianchi Prata.

"Temos uma boa equipa, um bom piloto e um bom carro. O meu objetivo é não falhar na navegação. Se isso acontecer, o lugar vai ser bom", disse Bianchi Prata, que habitualmente ministra cursos de navegação em Marrocos ao longo do ano.

Nos automóveis, surpresa de última hora com a chamada do navegador Filipe Palmeiro. O português estava, inicialmente, escalado para acompanhar o piloto chileno Boris Garafulic (Mini), mas a convulsão social que se vive atualmente naquele país da América Latina levou à desistência da participação na prova.

Contudo, nos últimos dias foi chamado pelo lituano Benediktas Vanagas (Toyota), cujo copiloto contraiu um vírus que o impede de estar presente na Arábia Saudita.

Vanagas participa pela oitava vez na prova e em 2019 terminou na 11.ª posição, atrás de Garafulic e Palmeiro.

Com a incorporação surpresa de Paulo Fiúza como navegador do francês Stéphane Peterhansel (Mini), subiu de 12 para 13 o número de portugueses em prova.

Além dos dois navegadores, nos automóveis participa ainda a dupla de Leiria Ricardo e Miguel Porém, aos comandos de um Borgward alemão, fazendo equipa com o espanhol Nani Roma.

"As expectativas para esta edição, a primeira em Auto [em 2019 fiz de SSV] são terminar, continuar a evoluir enquanto piloto e adquirir o máximo de experiência possível [ter o Nani Roma como colega de equipa irá ajudar-me nisso] e se possível terminar no top10", referiu Ricardo Porém à agência Lusa.

Para já, a convivência com o piloto espanhol, vencedor em motas (2004) e em automóveis (2014), tem sido profícua para o português.

"Temos falado um pouco acerca de todo o Dakar, não de pontos específicos. Mas, sem dúvida que a regularidade e a concentração total ao longo das especiais são as que mais destaco", revela Porém sobre os concelhos recebidos pelo experiente espanhol.

Nos camiões, são dois os portugueses à partida. José Martins (IVECO) alinha na prova de camiões como assistente rápido da Toyota Gazoo Racing, que faz alinhar o espanhol Fernando Alonso e o qatari Nasser Al-Attyiah, vencedor da prova em 2019.

Será uma prova de fogo para o português de 52 anos, que cresceu em França, onde correu em motocrosse e autocrosse antes de se dedicar ao Dakar. Entre as suas memórias está um rali Rota da Seda que quase acabou numa prisão do Casaquistão.

Entretanto, Bruno Sousa foi incorporado na equipa do alemão Mathias Behringer, como mecânico num MAN da South Racing, substituindo Lasse Ruehl, no camião que prestará assistência aos cinco SSV e um carro que a equipa faz alinhar na competição.

A 42.ª edição da prova marca a saída da América do Sul 11 anos depois de aquele continente ter acolhido a mais mediática prova de todo-o-terreno. A partida está marcada para 5 de janeiro em Jeddah, com uma tirada de 752 quilómetros, 319 deles ao cronómetro.

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