Maior ponte do mundo vai estar aberta a apenas alguns condutores

Câmaras que vigiam bocejos e outras curiosidades da maior ponte do mundo

0 aos 100 23/10/2018 Curiosidades

A maior ponte do mundo, que liga as regiões administrativas especiais de Macau e Hong Kong e a cidade chinesa de Zhuhai, foi inaugurada esta terça-feira, em cerimónia que vai decorrer no Edifício do Posto Fronteiriço de Zhuhai. A abertura da ponte à circulação está marcada para as 9h locais de quarta-feira (2h em Lisboa).

A ponte é um marco do projeto de integração regional da Grande Baía, que visa criar uma metrópole mundial a partir dos territórios de Hong Kong, Macau e nove localidades da província chinesa de Guangdong (Cantão, Shenzhen, Zhuhai, Foshan, Huizhou, Dongguan, Zhongshan, Jiangmen e Zhaoqing).

Trata-se da maior ponte do mundo, sobre o mar, com uma estrutura principal de 29,6 quilómetros – uma secção em ponte de 22,9 quilómetros e um túnel subaquático de 6,7 quilómetros -, com a extensão total a rondar os 55 quilómetros. Mas não é só a extensão que a torna única no mundo. Há uma série de inovações introduzidas durante a sua construção que a tornam também numa das mais peculiares travessias do planeta.

Entre as várias novidades introduzidas, a ponte vai ter câmaras que controlam se um condutor boceja muito ou pouco: se o fizer pelo menos três vezes em 20 segundos, as câmaras emitem um alarme para averiguar se o automobilista está mesmo em condições de manter a condução.

Da mesma forma, haverá sensores que monitorizam a pressão e ritmo cardíaco dos condutores, sendo que essa informação será enviada para o centro de controlo da ponte, conta o jornal The Guardian.

Além da segurança dos próprios cidadãos, o acesso ao tabuleiro da ponte também será fortemente condicionado: quem partir de Hong Kong, por exemplo, vai precisar de uma autorização especial para fazer a travessia e há uma série de credenciais de longa duração mais específicas para atribuir a grupos de cidadãos que cumpram uma série de critérios exigidos pelo governo chinês.

Para quem não dispõe de ‘luz verde’ para usar a ponte, há autocarros específicos reservados. Uma decisão que está a gerar críticas por se tratar de uma obra financiada por dinheiro dos contribuintes, mas à a qual nem todos têm acesso livre.

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Pelo meio das novidades, surgem também algumas polémicas e situações quase caricatas. Uma delas prende-se com o lado da estrada em que se deve conduzir. É que, para os condutores em Macau e Hong Kong, o trânsito segue pela esquerda, enquanto no restante território da China conduz-se pela direita — isso pode gerar alguns transtornos na hora de se cruzarem os dois sentidos na ponte. Estão ainda a ser estudadas soluções para este problema, como criar um ponto em que o tabuleiro se torna móvel para permitir a alternância dos carros ou fazer uma espécie de “desvio em laço” que permite a troca.

Segundo estimativas do jornal de Hong Kong South China Morning Post, a ponte custou aos três governos cerca de 1,9 mil milhões de euros.

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