Preço dos carros novos pode aumentar até 2.500 euros em setembro

Entre dos carros mais vendidos, estima-se um aumento de 93 a 2.520 euros de imposto sobre veículos

0 aos 100 17/07/2018 Noticias

O alerta é deixado pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco). A entrada em vigor do novo ciclo de medição de emissões poluentes, o WLTP, e o receio de algumas marcas de que o Orçamento de Estado para 2019 não promova a neutralidade fiscal pedida por Bruxelas pode levar ao agravamento do preço dos automóveis novos que pode chegar aos 10 por cento. No top 50 dos carros mais vendidos, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) estima um aumento de 93 euros a 2.520 euros de imposto sobre veículos.

A Deco/Proteste recorda que a Comissão Europeia pediu aos Estados-membros para evitar mais impostos com a adoção do novo ciclo de medição das emissões poluentes WLTP (teste global harmonizado para veículos ligeiros) na homologação dos carros. Mas, segundo a Deco, “as associações do setor receiam o pior e nada está garantido”. Esta associação antecipa mesmo “uma maratona com vários obstáculos no próximo Orçamento do Estado”.

“Talvez já se tenha cruzado com anúncios de preços únicos e imperdíveis para aproveitar agora em pleno verão. Algumas marcas tentam convencer os consumidores de que este é o momento certo para poupar”, avança a Deco/Proteste, alertando que a aplicação direta das tabelas de imposto resultará no “aumento significativo” dos preços.

A Deco estima mesmo que em setembro, que o mercado automóvel possa sofrer um aumento de 10% com a adoção do valor de correcção, face a simulações com base no novo imposto sobre veículos (ISV) e no imposto único de circulação (IUC) para carros no top de vendas.

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De acordo com estas simulações, revela a Deco/Proteste, o impacto será imediato: aumento de 93 euros a 2.520 euros de ISV para os carros do top 50 das vendas.

“A partir de janeiro de 2019, caso nada mude, o aumento pode ser colossal e, segundo estudos internacionais, disparar para 15% a 25% em relação ao preço actual”, alerta a associação, dando conta de que, em 2019, no Peugeot 208 1.2 Puretech Style a gasolina, a fatura final aumenta de 324 a 932 euros. Já para o Mercedes GLC 250d 4Matic, o aumento no preço final será de 3.921 a 6.773 euros.

“Mas as despesas não acabam aqui. Fizemos contas ao IUC para dois modelos, que implicam a mudança de escalão, dado que a taxa é única: Fiat Punto 1.2 Easy e Audi A3 Cabrio 2.0, ambos a gasolina. No primeiro custará mais 30 euros e no segundo aumenta 104 euros”, acrescenta. Consumidores e marcas temem a possibilidade de um aumento duplo.

A Deco/Proteste recorda que o novo método de medição entra em vigor a 1 de setembro e que a introdução do ciclo WLTP na homologação terá como resultado a publicação oficial das marcas de valores mais realistas de consumos e emissões poluentes para todos os carros.

“Em Portugal, o valor das emissões é, e bem, um dos principais fatores que determinam os impostos. Urge saber e perceber o impacto financeiro desta mudança. Informação clara e fiável é uma exigência antiga dos consumidores, mas não pode servir como argumento para carregar nos impostos”, defende a Deco.

Um dado é certo. Consumidores e marcas temem a possibilidade de um aumento duplo, no preço dos automóveis novos, em poucos meses – primeiro já em setembro, com as emissões dos carros homologadas através do WLTP, mas com os valores de emissões convertidos para NEDC (novo ciclo de condução europeu), chamado NEDC2. E, em janeiro, com a imposição definitiva dos valores de emissões WLTP.

Na primeira fase, recorda a Deco, entra em vigor um ciclo de medição transitório a que se atribuiu o nome de NEDC2 e, a partir de janeiro, entra em ação a norma WLTP por inteiro. O efeito imediato é o aumento significativo do preço dos carros novos, devido à tabela do ISV.

“Como se não bastasse a elevada idade do parque automóvel português (mais de 12 anos), esta mudança ocorre num momento que o mercado mostra sinais fortes de uma recuperação consistente com a introdução de carros menos poluentes e mais seguros”, defende a Deco.

O agravamento nas emissões, segundo a Deco, pode representar uma subida de “40% ou 50%” no imposto, sobretudo nos segmentos de automóveis de maior cilindrada.

Bruxelas recomenda que os consumidores não tenham de pagar mais impostos devido à mudança, tendo sido sugeridas adaptações para que os consumidores não sejam afetados. “Governo e partidos devem garantir isso mesmo e trabalhar na criação de alternativas. Aguardamos pela resposta do governo português no Orçamento do Estado para 2019 e prometemos acompanhar este dossiê até ao último cêntimo”, conclui a Deco.

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