Teste ao Hyundai i30 1.0 T-GDI de 120cv. Porque não?

Desenhado, estudado e produzido na Europa, o Hyundai i30 quer fazer tremer as referências entre os familiares compactos...

Luis Neves 08/05/2018 Testes

A reduzida cilindrada ou arquitetura de três cilindros do motor 1.0 T-GDI não é caso para amedrontar. O Hyundai i30 1.0 T-GDI é um familiar de corpo e alma e representa uma alternativa credível aos congéneres a gasóleo. Do preço ao prazer de condução, são muitos os argumentos que jogam a seu favor.

Estamos perante uma verdadeira mudança de paradigma. Há marcas que já assumiram a “troca” dos motores Diesel por híbridos e híbridos plug-in. Outras dizem que o fim dos carros a gasóleo é um tema que tem vindo a ser empolado e que é do interesse dos próprios construtores manter a aposta no Diesel, até porque é a forma mais imediata e acessível de baixar as emissões de CO2. Seja qual for o cenário que se avizinha, um dado é inegável: quem circula em ambiente urbano e extraurbano ou faz cerca de 10 mil km por ano fica melhor servido com um moderno motor a gasolina. Até porque já há grandes metrópoles a anunciar o fim da circulação de veículos Diesel nos centros urbanos; os consumos têm vindo a baixar significativamente; a manutenção é menos dispendiosa e a diferença de preço para os congéneres Diesel é assinalável.

Se isto já era verdade para os utilitários, a chegada de pequenos motores a gasolina “vitaminados” tornou a sua utilização possível nos pequenos familiares. O Hyundai i30 é um bom exemplo desta estratégia, nomeadamente esta versão equipada com o motor "3 cilindros" 1.0 T-GDI a gasolina.

Este motor de 120cv e 171 Nm é um pequeno prodígio de três cilindros e confirmou-o em toda a linha durante este teste. Suave, mesmo muito suave no trabalhar, praticamente não se entrega à evidência de ter menos um cilindro do que o senso comum se habituou a reconhecer. Só se nota o cantar trémulo quando a rotação sobe. Mas é dócil no trato e vigoroso na entrega.

A subida de regime é viva, cumpre um arranque até 100 km/h em 11,1 saudáveis segundos e completa mil metros menos de 33 segundos. Sim, isto tudo e é apenas um “mil”. A velocidade máxima anunciada é de 190 km/h.

O 1.0 T-GDI permite fazer, também, ótimas recuperações de velocidade, impressionando especialmente as de quarta velocidade e o facto de precisar de menos de dez segundos para recuperar de 80 a 120 km/h, em quinta velocidade.

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A acompanhar toda esta eficiência encontra-se o comportamento e toda a resposta aos comandos. O acerto da suspensão beneficia a dinâmica, embora sem prejudicar gravemente o conforto a bordo, colocando-o como adversário de respeito para os melhores representantes generalistas deste segmento C.

Os consumos não são extraordinários, mas também não assustam ninguém. Se quisermos estereotipar este i30 por ser um “mil”, então gastar mais de oito litros em cidade e acabar o teste com média ponderada praticamente igual a 7,0 l/100 km, não é tudo o que se desejaria.

Se andar ao ritmo do motor, entre o despachado e o depressinha, a média instala-se confortavelmente perto dos oito litros. Mas podemos condescender e pensar que estamos perante um automóvel de cinco portas, com jantes de 17 polegadas, recheado com muito equipamento e praticamente 1300 kg de peso.

No interior, os materiais têm, na maioria, bom aspeto e montagem em excelente nível, o volante tem pormenores de design interessantes, o mostrador do sistema de ar condicionado é bonito e o ecrã tátil montado sobre o topo da consola central tem, nesta unidade, 8” polegadas, e está rodeado pelos botões de atalho mais relevantes.

Mais, a posição de condução é boa e os bancos confortáveis apesar de para o lado do rijo, e o espaço é desafogado – os três ocupantes viajam bem na fila traseira, a menos que sejam muito corpulentos.

Atrás, a bagageira oferece 395 litros de capacidade. O menu tecnológico é completo, com destaque para Cruise Control inteligente, travagem de emergência autónoma, monitorização de cansaço, deteção de ângulo morto, informação do limite de velocidade, máximos automáticos e manutenção da faixa de rodagem.

O preço de tabela deste i30 com o motor 1.0 T-GDI é mais de 4000 euros inferior ao do 1.6 CRDi de 110cv, o que faz dele uma proposta muito atrativa para quem faça bem as contas, principalmente se não faz mais de 10 000 km/ano. Nessas condições este diferencial só será amortizado quando o valor comercial de ambos for irrelevante, e nesse espaço de tempo o 1.0 T-GDI é mais gratificante de conduzir, mais moderno e muito menos pesado em termos manutenção, não tendo componentes problemáticos como os filtros de partículas e barato.

A versão ensaiada, i30 1.0 T-GDI Style, custa 23.505 euros, mas existe uma versão mais acessível, Comfort, disponível a partir de 19.400 euros.

Mais: Pragmatismo ao volante; suspensão
Menos: excesso de opções no volante; binário em baixas

Ficha técnica:

Motor 3 cil. em linha, turbo, injeção, intercooler, 998 cc
Potência 120 cv/6000 rpm
Binário 171 Nm/1500 – 4000 rpm
Transmissão dianteira, cx manual de 6 vel.
Peso 1269 kg
Mala 395l/1301 (c/ traseiros bancos rebatidos)
Depósito 50l
Aceleração 0 aos 100 km 11,1s
Velocidade máxima 190 km/h
Consumo médio (anunciado) 5,0l/100 km
Emissões C02 115 g/km

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