Ayrton Senna: lenda morreu há 24 anos

Hoje, dia 1 de Maio, passam 24 anos da morte de Ayrton Senna. Uma data que indica um dos dias mais tristes da história da F1

0 aos 100 01/05/2018 Curiosidades

Passam hoje 24 anos sobre a morte de Ayrton Senna, para muitos o piloto mais talentoso que alguma vez conduziu um Fórmula 1 e um verdadeiro mago sob chuva ou em qualificação. A sua morte, numa curva que já não existe, em Imola, mudou tudo: a partir daí, a F1 nunca mais foi a mesma.

Foi a 1 de maio de 1994 que o piloto brasileiro encontrou a morte na curva Tamburello do circuito de Ímola, no Grande Prémio de San Marino, em Itália. Para Senna, numa pista, as curvas funcionavam como um alvo que era preciso atingir cirurgicamente, num exercício que ultrapassava a coordenação perfeita das faculdades físicas e motoras dos olhos, mãos e pés. Era o seu poder de avaliação e antecipação na aproximação ao “alvo” que o tornavam um génio da condução no limite e que ajuda a explicar muitas das suas “voltas-canhão” rumo às Pole Positions, assim como algumas ultrapassagens aparentemente “impossíveis”, ou mesmo o exímio controlo do carro à chuva, que o tornou uma referência neste tipo de superfície.

Entre as centenas de “estórias” que colecionou ao longo dos 10 anos em que esteve na F1, muitas tiveram a ver, precisamente, com essa capacidade de análise que extravazava o senso-comum. Não era invulgar Senna fazer uma análise técnica tão exaustiva e acertada do comportamento dos monolugares que guiava (antes de existir telemetria em tempo real) que até os engenheiros que com ele afinavam os monolugares ficavam boquiabertos. “Sensibilidade” parecia, afinal, ser o seu nome do meio e isso talvez explicasse porque Ayrton Senna era, de facto, um piloto especial. Tão especial que “tratava por tu” o fluxo sensorial, dizia-se transformando a rapidíssima realidade visualizada dentro do seu monolugar em imagens de câmara lenta, ao ponto de reconhecer pessoas em determinadas zonas da pista, durante uma volta de Qualificação de um Grande Prémio!

A espiritualidade, outra das suas facetas mais vincadas e conhecidas, tinha igualmente, segundo ele, enorme influência no seu próprio equilíbrio psicológico e otimização da energia que gastava dentro do F1, permitindo-lhe manter e até aumentar a confiança, quando a dos adversários já se tinha evaporado.

Mas, Senna não tinha apenas qualidades, e mesmo alguns poderes quase sobrenaturais não eram suficientes para esconder a sua condição humana. Obsessivo, polémico, fraturante e, muitas vezes, navegando ao sabor das convicções e conveniências, o piloto nascido em São Paulo também acumulou inimigos nas pistas.

A guerra-aberta que travou com o francês Alain Prost, enquanto com ele dividiu o protagonismo na equipa McLaren (e quando este passou depois para a Ferrari), e que tanto contribuiu também para que a F1 atingisse o seu maior pico de popularidade de sempre; a sua inamizade e picardias com o seu compatriota Nelson Piquet; ou as querelas que protagonizou com Jean-Marie Balestre (então Presidente da FIA) são apenas alguns dos momentos que deram chama viva à F1, ao mesmo tempo que “incendiaram” o Paddock e que se tornaram decisivos para moldar a sua imagem à forma como era visto no exterior: idolatrado por uns, odiado por outros, mas nunca indiferente!  

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Tantas vezes apelidado de “Magic Senna”, o piloto deixou gravados momentos verdadeiramente emotivos e impares nos anéis da F1. Quais? A lista é longa e ilustra, mas há que recordar a sua primeira vitória, num festival de condução à chuva, com o Lotus-Renault EF4B V6 Turbo no GP de Portugal de 1985; os seus memoráveis seis triunfos na exigente pista do Mónaco (ainda hoje um recorde e que só não é de sete vitórias porque, em 1988, Senna bateu e desistiu quando tentava dar uma volta de avanço a Alain Prost!); sem esquecer a conquista dos seus três títulos mundiais de Pilotos (1988, 1990 e 1991), que podiam, efetivamente, ter sido quatro, não fosse a ingerência alheia do Presidente da FIA (Jean-Marie Balestre), que intercedeu indiretamente, na desclassificação do brasileiro no célebre G.P. do Japão, em 1989, quando Senna e Prost eternizaram um momento de tensão, chocando, na chicane!

Quando, a 1 de maio de 1994, Senna perdeu a vida, deu, sem o saber, um rude golpe na popularidade da F1. Um funeral de Estado e o luto oficial de três dias decretado pelo governo brasileiro podem ter dado uma dimensão da dor que provocou o seu desaparecimento, mas só o passar do tempo fez perceber que sem ele, a F1 ficou com um enorme vazio, que até hoje, está por colmatar. Não podia ser à toa que, em 2009, 217 pilotos que passaram pela F1, elegeram Ayrton Senna como o melhor piloto de sempre na disciplina rainha do automobilismo mundial.

Infelizmente, não foi apenas a F1 a perder. Pelas as suas ações de filantropia, pelo respeito que granjeava como pessoa, pelo Homem com “H” em que se tornou, hoje, com quase seis décadas, Ayrton Senna ainda teria muito para dar ao mundo, mesmo que muitas vezes sob o signo da controvérsia…

Ayrton Senna, o seu palmarés...

Estreia na F1: GP Brasil 1984

GP disputados: 161

Vitorias: 41 

Pódios: 80

Poles: 65

Voltas rápidas: 19

Pontos no Mundial: 614

Mundiais: 3 (1988, 90, 91)

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