Sabia que a Daimler comprou a Audi e só depois a vendeu à Volkswagen?

Imagine o que seria atualmente a assinatura dos quatro anéis, se nunca tivesse saído da sombra do construtor da estrela

Luis Neves 16/04/2018 Curiosidades

É uma das curiosidades (por muitos desconhecida) da Audi, nomeadamente da Auto Union GmbH, que resultou da fusão entre a Audi, DKW, Horch e Wanderer: a Daimler, dona da Mercedes-Benz, foi dona da Audi por seis anos. Só depois a vendeu à Volkswagen.

Sim, leu bem. É verdade que a Audi pertenceu à Daimler, atualmente sua concorrente direta entre as marcas Premium. Imagine agora o que seria, atualmente, a assinatura dos quatro anéis, se nunca tivesse saído da sombra do construtor da estrela.

O primeiro Audi

Temos de recuar 60 anos, precisamente a abril de 1958, quando o principal acionista da Daimler-Benz AG, Friedrich Flick, apercebeu-se que as gamas de automóveis da Mercedes-Benz e Audi podiam complementar-se.

Flick levou então aos seus colegas do conselho administrativo da Daimler-Benz a ideia de uma fusão com a Auto Union GmbH, empresa que juntava a Audi, DKW, Horch e Wanderer. Assim, a 1 de abril de 1958, a Daimler chegou a acordo para adquirir 88 por cento das ações da Auto Union, seguindo a iniciativa de Friedrich Flick, que na época era o dono de 40 por cento das ações da Daimler-Benz e Auto Union.

Na altura, a Auto Union estava a construir uma nova fábrica em Ingolstadt (atual sede da Audi), para onde decidiu transferir toda a sua produção. A Daimler acabou por alugar a antiga fábrica da marca em Düsseldorf antes de a vender a uma de suas subsidiárias em 1962. O valor arrecadado com a venda da fábrica foi usado ​​pela Auto Union, além dos 340 milhões de marcos da Daimler, para modernizar a sua linha de montagem.

Em 1963, a Daimler decide transferir um dos seus engenheiros mais importantes, Ludwig Kraus, para ajudar na modernização e desenvolvimento dos produtos da Auto Union, que passou a operar com a Audi como a marca símbolo de todo o conjunto.

A evolução da Audi

Coube então à equipa de Kraus e a outros jovens engenheiros da Daimler liderar uma revolução na Audi e influenciar profundamente os futuros modelos, deixando um certo “DNA Mercedes” nos carros da empresa. Kraus e a sua equipa desenvolveram um novo motor 4 cilindros, o M 118, bem como o Auto Union Audi Premiere, o primeiro modelo da Auto Union do pós-guerra a contar com um motor de 4 cilindros e usar a marca Audi.

Mesmo com a venda da participação maioritária da Daimler-Benz AG na Auto Union ao grupo Volkswagen a 1 de janeiro de 1965, o engenheiro Ludwig Kraus permaneceu como diretor técnico da Auto Union. O conglomerado que até então era dono da marca Audi tornou-se uma empresa totalmente controlada pela Volkswagen a partir de 1966.

Em 1969, a NSU junta-se à Auto Union, o que fez com que a Audi emergisse pela primeira vez depois da guerra como uma marca independente. Mas só em 1985 é que o nome Audi AG passou a ser usado oficialmente e a surgir acompanhado com o histórico emblema das argolas, que permanece inalterado até aos dias de hoje.

A influência da equipa de Kraus ficou para a história e modelos como o Audi 100 e o Mercedes-Benz W 119, guardam várias semelhanças entre si e comprovam que, se atualmente são concorrentes, Audi e Mercedes-Benz já tiveram um passado de laços extremamente fortes.

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