Ensaio ao DS 3 Crossback BlueHDi 100 Performance Line. A virtude de ser diferente

Ninguém pode negar a originalidade do DS 3 Crossback, tanto por fora como por dentro. O motor BlueHDi é mais que suficiente e, sobretudo, eficiente...

Luis Neves 31/08/2020 Testes

O SUV compacto da DS não consegue deixar ninguém indiferente. É giro, distinto e original. Não há que ter medo em admitir os efeitos da ousadia estética que a DS está a aplicar nos seus modelos, especialmente desde que se “separou” da Citroen. Seja por fora ou por dentro, o DS 3, agora feito SUV, transpira originalidade e distinção (e até alguma fantasia – se me permitem), seja pelos vincos na carroçaria, o formato particular das portas e janelas, seja pelas assinaturas luminosas LED, ou até os puxadores retráteis, sempre prontos a desdobrar-se automaticamente quando detetam a aproximação da chave.

Tudo no DS 3 Crossback tem estilo próprio. Todos os detalhes, pouco habituais num SUV compacto, fazem com que o DS 3 Crossback tenha uma presença inquestionável, reforçada nesta versão Performance Line, de apelo desportivo.

Interior distinto

O interior tem o inconfundível selo da DS, com o delicioso detalhe das formas de diamantes (ou losangos) um pouco por todo o lado: saídas de ventilação, botões táteis, gráficos não convencionais do painel do relógio (digital e de 7 polegadas) e o ecrã de infoentretenimento (bem localizado, a propósito), ou no desenho dos comandos dos vidros.

Outro detalhe que salta à vista são os bancos, pelo seu bom amortecimento e formato ergonómico. Até os passageiros de maior tamanho se sentem bastante à vontade nos bancos dianteiros do DS 3 Crossback e, especialmente, nesta versão Performance Line, com bancos desportivos muito agradáveis ​​ao toque, graças ao revestimento em tecido e couro.

Este último material também está presente no volante, enquanto outro de nível superior, como o Alcântara, percorre todo o painel e os painéis das portas. Portanto, um habitáculo com um nível de acabamento pouco comum neste segmento, e até mesmo para modelos de patamar superior.

A tecnologia é a outra máxima no interior do DS 3 Crossback com elementos como o painel de instrumentos digital combinado com um “head up display”, um ecrã multifunções de 10,3 polegadas que permite operação tátil bastante precisa, embora não perfeita. Possui teclas como atalhos para aceder às diferentes áreas que não são poucas: navegação, conectividade com o smartphone, computador de bordo, equipamento áudio e ar condicionado e não com um menu central que seria mais intuitivo.

Felizmente, as funções de áudio ou ar condicionado possuem uma série de botões bem posicionados (também abaixo do ecrã, como os demais) que facilitam muito as coisas para o condutor e passageiro realizarem ações básicas, como aumentar o volume ou desligar, desembaciar os vidros sem ter de perder-se nos menus do ecrã multifunções.

De qualquer forma, destaca-se mais pelo tamanho generoso e pela boa posição - tão alta que não exige muito esforço para desviar os olhos da estrada - do que pela velocidade de manuseamento, pois, como costumamos sublinhar, sempre que estes sistemas agrupam muitos controlos diferentes, a resposta deles tende a desacelerar. Este caso não é exceção.

Outros controlos frequentemente utilizados ​​nas portas, como os comandos dos vidros ou o ajuste dos espelhos retrovisores, foram deslocados para a consola central e o canto inferior esquerdo do tablier, respetivamente, algo que também requer um certo período de tempo de adaptação.

Curiosamente, o oposto acontece com as entradas de ventilação, pois há uma instalada em cada porta da frente, numa posição muito próxima aos passageiros, o que melhora a eficiência do ar condicionado. Além de conferir um estilo (ainda) mais desportivo.

Estilo não rima com... prático

Quem viaja nos bancos traseiros terá uma experiência bastante diferente, principalmente devido a dois aspetos: acesso e a largura disponível. Na realidade, ambas as circunstâncias são motivadas pela mesma razão: o desenho das portas e dos vidros traseiros. Uma vez acomodados, dois adultos viajam sem problemas e com elevado conforto.

A bagageira oferece 350 litros, um valor que segue a média do segmento, e que pode estender-se aos 1.050 litros com o rebatimento dos bancos traseiros numa proporção de 40/60.

Entre as tecnologias disponíveis, salta à vista o sistema de iluminação Matrix LED Vision que nos impossibilita de ignorar qualquer indicação na estrada ou de parar de ver pedestres ou ciclistas nas ruas convencionais mais mal iluminadas que imaginamos. Este sistema modifica o feixe de luz muito rápido e utiliza-o para destacar os elementos mais relevantes da estrada para o condutor, além de evitar reflexos. De resto, destaque para o DS Drive Assist, um sistema de controlo de velocidade adaptativo avançado que nos mantém na faixa correta sem ser muito intrusivo.

Confortável, dinâmico ou tudo em um?

Em movimento, o DS 3 Crossback apresenta um equilíbrio muito interessante entre dinamismo e conforto. Esta versão surge equipada com jantes de 17 polegadas, o que até funciona muito bem no que concerne ao conforto, passando pelos maus pisos com indiferença e sem perder a compostura. Outra nota a reter é a solidez geral. Em estradas degradadas não se ouvem plásticos a ranger ou a abanar, aumentando a confiança na condução mais despachada.

É estável e seguro, mostrando boa aderência ao asfalto, e com travões eficazes e rápido. A direção é também rápida a responder, o que faz com que nunca o sintamos um carro pesadão.

Motor BlueHDi de 100cv, eficiência acima de tudo

O motor 1.5 BlueHDi de 100cv é progressivo e praticamente não se nota diferença do regime do binário antes e depois das 1.750 rpm. Exige algum recurso à caixa manual de seis velocidades para manter ritmos mais vivos, mas é muito fácil de utilizar em cidade, permitindo uma condução suave e despreocupada.

A média de consumo ronda os 5,5 litros, que sobem para os 6 litros com uma condução mais despreocupada. As emissões de CO2 é de 124 g/km (ciclo WLTP). Por outro lado, é capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 11,4 segundos e alcançar uma velocidade máxima de 180 km/h.

Em conclusão, o DS 3 Crossback é um SUV compacto que se quer assumir como Premium, utilizando para isso fatores como a qualidade, sensações de condução e detalhes exclusivos. O problema é mesmo o preço, uma vez que a unidade testada está disponível a partir de 33.500 euros, mais 2.900 euros que o 1.2 PureTech de 100cv a gasolina, por exemplo. A gama inclui ainda motorizações a gasolina de 130 e 155cv, além de um segundo BlueHDi de 130cv ou o elétrico E-Tense. 

O DS 3 Crossback é um SUV compacto diferente, para quem valoriza estilo personalizado e distinto de tudo o que está disponível. Tem um preço alto, mas reflete o posicionamento elevado. O motor BlueHDi de 100cv é mais que suficiente para uma condução muito agradável.

MAIS

  • Combinação entre distinção e o luxo que oferece
  • Estilo interior
  • Equipamento
  • Consumos

MENOS

  • Acesso e altura aos lugares traseiros
  • Sistema de infoentretenimento com demasiados menus
  • Preços

FICHA TÉCNICA

DS 3 Crossback BlueHDi 100 Performance Line
Motor: Turbodiesel, quatro cilindros, injeção direta
Cilindrada: 1499 cm3
Potência: 100cv/3500 rpm
Binário máximo: 250 Nm/1750 rpm
Tração: Dianteira
Caixa: Manual de 6 velocidades
Aceleração (0-100 km/h): 11,4 segundos
Velocidade máxima: 180 km/h
Consumo médio (anunciado): 4,7 l/100 km
Emissões de CO2: 124 g/km (WLTP)
Peso: 1205 kg
Preço base da versão: 33.500 euros

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