Miguel Oliveira e o regresso do MotoGP a Portugal: 'Espero que isso aconteça brevemente''

Português mostra-se 'cético' e escusa-se a apontar alguma preferência quanto ao circuito a integrar o calendário da elite

0 aos 100 14/12/2019 Desporto

Miguel Oliveira, o único português a disputar o campeonato do mundo de motociclismo de velocidade, assumiu-se cético quanto ao regresso do MotoGP a Portugal, dizendo não ter preferência entre Portimão e Estoril.

“Independentemente da localização, o mais importante é vir para Portugal. Até ver a data marcada, ainda me mantenho cético, porque não quero sonhar sem ter razões suficientemente fortes para que isso aconteça. Não me canso de dizer que é um sonho tornado realidade correr no MotoGP em Portugal. Julgo que todos os fãs merecem, ter um piloto português já é [motivo] suficiente e eu espero que isso aconteça brevemente”, disse Miguel Oliveira.

Em entrevista à agência Lusa, o português escusou-se a apontar alguma preferência quanto ao circuito a integrar o calendário da elite, admitindo que o autódromo algarvio está mais bem preparado.

“Tanto o Estoril como Portimão são dois palcos espetaculares para trazer cá a prova. Talvez, dada a dimensão do MotoGP, a nível de espaço de ‘paddock’, julgo que Portimão cumpre muito mais tudo o que são as exigências do MotoGP moderno, que, desde 2012, tem expandido cada vez mais a sua frota de camiões. A nível de pista, vou ser igualmente rápido no Estoril ou em Portimão”, vincou.

Na mesma entrevista, Miguel Oliveira distinguiu o “muito maior palco” do MotoGP em relação às categorias inferiores, como Moto2 ou Moto3, reconhecendo não haver muitos momentos para interação com os outros pilotos: “Há muito respeito mútuo e acho que é o que deve existir entre nós”.

Aos 24 anos, o almadense não contempla ainda um fim para a sua carreira, distinguindo a “genética” do italiano Valentino Rossi, que, aos 40, se mantém no campeonato – beneficiando de “uma mota muito pouco exigente fisicamente, como a Yamaha, para continuar a sua carreira” -, dos obstáculos que levaram ao abandono do espanhol Jorge Lorenzo, aos 32.

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“Não acredito que seja um abandono prematuro. Tem cinco títulos mundiais, fez tudo o que tinha a fazer no MotoGP, encontrou um desafio e um grande obstáculo, que foi a parte de voltar a ganhar confiança. Não é fácil um piloto estar habituado a vencer e as vitórias não chegarem. Julgo que mostrou uma faceta mais humana do que as pessoas estão habituada, e acho que só temos de agradecer ao Jorge Lorenzo pelo enorme valor que empenhou no mundo do MotoGP”, assinalou.

Por isso, Miguel Oliveira promete correr enquanto se “divertir e for suficientemente competitivo”, na categoria rainha do motociclismo de velocidade em que é o primeiro e único representante luso.

“Não vou mentir que me sinto muito orgulhoso por ser o único português, por ter tantos fãs a apoiar ao domingo e por não ter de partilhar este protagonismo com mais ninguém. Isso faz-me sentir muito responsável por representar Portugal ao mais alto nível e o melhor possível”, sublinhou.

 

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