Peugeot 508 2.0 HDi 160cv GT Line: Grande 'espada'

O que vale a berlina do momento? Ensaio à versão GT Line equipada com o motor 2.0 BlueHDI de 160cv e caixa automática de 8 velocidades

Luis Neves 27/06/2019 Testes

Quando olhei para o Peugeot 508 lembrei-me de uma antiga expressão muito vulgar quando era miúdo: «grande espada!». Assim, mesmo, como se dizia quando se via um “carrão” a passar por nós. E é isto o 508: um "espada". A berlina da Peugeot causa impacto, graças às proporções, da carroçaria, muito comprida e baixa, capot muito longo e traseira descida como nos coupés e em que flancos ficam mais proeminentes, conferindo um ar musculado a este familiar.

Sim, porque não nos podemos esquecer que apesar da aparência desportiva, é de um familiar que falamos. Até porque trata-se da berlina de topo da Peugeot e o sucessor de berlinas emblemáticas como o 406 e 407, por exemplo. É diferente, para o bem e para o mal, e alguns clientes tradicionais do 508 podem achar estranho e desenquadrado. Para os restantes, certamente uma lufada de ar fresco.

Por outro lado, lembra alguns dos modelos mais icónicos do fabricante, como o 504 lançado na década de 60, com o número 508 em posição de destaque na ponta do capot, uns centímetros acima do símbolo do leão dominante na grelha pontuada a cromado. Outro detalhe curioso é a ausência de molduras nas quatro portas, como um Coupé.

A grande distância entre eixos garante muito espaço no habitáculo e na bagageira: nos bancos traseiros, cabem três pessoas à vontade, sendo que os dois lugares laterais são, como de costume, mais confortáveis que o central. O compartimento para bagagens tem capacidade entre 487 a 1537, e possui o prático sistema de abertura elétrico.

Interior de topo

Voltando ao habitáculo, elogie-se a solidez e a qualidade dos materiais e dos acabamentos (que já conhecemos bem do 3008), com alguns pormenores a merecer destaque especial, como os comandos na consola central, o plástico preto piano, ou até os bancos: amplos, confortáveis, envolventes, com bons apoios laterais e... massagem (custam 1000 euros).

Destaque também para o apreciado (pela maioria dos clientes Peugeot) conceito i-Cockpit, com o volante compacto com painel de instrumentos cimeiro estreado no 208, aqui em ecrã de 12,3” e totalmente digital e configurável. O desenho e os pormenores rematam um ambiente sofisticado.

Veja ainda:

Escondido atrás da consola encontra-se um compartimento de arrumação onde surge uma tomada USB e também uma prateleira para carregamento de smartphones por indução. O comando da caixa automática de oito velocidades está posicionado numa consola sobrelevada e ao seu lado surge o botão “Drive”, que permite mudar os vários modos de condução.

Motor

O exemplar em ensaio estava equipado com o motor 2.0 BlueHDi de 160cv (a gama inclui dois outros BlueHDi, o 2.0 de 180cv e o 1.5 de 130cv), acoplado a transmissão automática de 8 velocidades, e oferece ao mesmo tempo prestações convincentes, funcionamento suave que combina bem com este tipo de automóveis e consumos comedidos.

É despachado (não fosse um 2 litros), até porque tem 400 Nm de binário máximo logo às 2000 rpm, demonstrando todo o seu folego quando selecionamos o modo Sport. Aí a resposta do acelerador é mais rápida, a direção torna-se mais direta, perdendo assistência com a velocidade e a resposta da caixa acompanha melhor este frenesim, encurtando também as relações.

Fora isso, a transmissão automática de oito velocidade mostra-se suave, rápida e precisa nas passagens. Alem do modo Sport, estão disponíveis outros três modos de condução, o Eco, Normal e Individual. 

Alinhado com as boas performances está o desempenho do chassis e o nível do conforto, cuja compatibilização é à prova de crítica: o 508 não só é extremamente competente em curva como também é confortável, com uma elevada capacidade de filtragem.

A justificar o seu estilo dinâmico, o 508 é também ágil (é cerca de 70 kg mais leve que o anterior 508). Basta entrar mais rápido numa curva para percebermos de imediato que segue sobre carris e que a frente mantém a trajetória sem dificuldades e sem “escorregar”.

Quanto a consumos, a média deste 2.0 BlueHDi situa-se nos 7 litros aos cem (anunciados 5,7 l/100 km em ciclo WLTP), que pode descer com uma condução mais paciente ou subir para os 9 litros numa abordagem mais desportiva.

Para os mais afoitos, diga-se que também é capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 8,4 segundos e alcançar os 230 km/h de velocidade máxima. As emissões de CO2 anunciadas são de 150 g/km (ciclo WLTP).

O equipamento das versões GT Line do 508 incluem, entre outros, faróis inteligentes, sensores de chuva e luz, limpa vidros automático, navegação 3D com Peugeot Connect Box, vidros escurecidos, estofos em couro e tecido, regulação lombar elétrica, ambiente interior Mistral, retrovisor electrocromático sem moldura, bancos dianteiros com regulação lombar e elétrica, Full LED e farolins traseiros LED 3D, i-Cockpit Amplify, bancos em couro.

A unidade em ensaio contava ainda com extras como o sistema de som Focal Premium (850 euros) e bancos AGR com regulação elétrica de 8 vias, aquecidos e com massagem (custam 1000 euros), teto de abrir elétrico com cortina (1.200 euros) ou Pack Night Vision (permite detetar á noite a presença de peões ou animais na estrada, custa 1.200 euros). Por falarmos em preços, o 508 2.0 BlueHDi 160cv GT Line arranca nos 46 mil euros.

Em jeito de conclusão, o 508 destaca-se na paisagem, apelando o lado mais emocional no momento da compra, sem esquecer a qualidade no interior e o cuidado no pormenor, tão importante hoje em dia. O motor 2.0 BlueHDi e a caixa automática de 8 velocidades reforça a candidatura ao estatuto Premium. O nível de equipamento GT Line é um dos mais recheados, trazendo consigo um misto de desportividade e elegância que os 46.140 euros (preço base) justificam plenamente.

MAIS

  • Desenho interior e exterior
  • Resposta do motor
  • Caixa automática suave e rápida

MENOS

  • Preço
  • Forma achatada na parte inferior e superior do volante
  • Espaço para a cabeça nos lugares traseiros

FICHA TÉCNICA

Peugeot 508 2.0 BlueHDi 160 EAT8 GT Line
Motor: Turbodiesel, quatro cilindros, injeção direta, TGV, intercooler
Cilindrada: 1997 cm3
Potência: 160 CV/3750 rpm
Binário máximo: 400 Nm/2000 rpm
Tração: Dianteira
Caixa: Automática de oito velocidades (EAT8), conversor de binário
Aceleração (0-100 km/h): 8,4 segundos
Velocidade máxima: 230 km/h
Consumo médio: 4,5 l/100 km
Emissões de CO2: 120 g/km
Peso: 1530 kg
Preço base da versão: 46.140 euros (1.5 BlueHDi a partir de 34.200 euros)

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